Camila
Camila mal teve tempo de recuperar o fôlego antes de ser puxada novamente. A mão de Ticiano se fechou em seu braço com força suficiente para guiá-la, mas não para machucá-la severamente, entretanto deixava claro que não havia espaço para resistência.
Ela tropeçou no próprio cansaço ao atravessar o corredor longo da villa, sentindo o frio da pedra sob os pés, pois tinha perdido os sapatos quando ele a trouxe para dentro. O eco distante dos próprios passos e o peso esmagador da certeza de que tudo tinha saído do seu controle.
A sala para onde ele a levou era ampla, majestosa, típica das grandes villas renascentistas da Toscana. O teto alto parecia distante demais, sustentado por vigas antigas, escuras, marcadas pelo tempo.
As paredes de pedra clara refletiam o fogo vivo da lareira, criando sombras quentes e inquietas que dançavam ao redor, como se observassem em silêncio aquele confronto inevitável.
Um grande tapete persa cobria parte do chão, e móveis robustos, de madeira nobre,