Ela engoliu em seco.
O simples fato de ouvir o próprio nome daquela forma, dita por ele, naquele tom, fez algo se apertar dentro do peito, era como se seu coração fosse parar só com esse simples fato. Tentou encontrar firmeza na própria voz, respirou fundo.
— Ela… ela vai fazer dois anos, em dois meses.
As palavras saíram pouco controladas, mas frágeis. Ticiano desviou o olhar de Nina para Camila. A frieza daquele gesto a atingiu com violência. Era como se a temperatura da sala tivesse caído subitamente, sentiu seus músculos enrijecerem, congelando seus nervos.
— O que você pretendia fazer com essa criança — perguntou ele, cada palavra pesada — no meio da noite, no portão da minha propriedade?
Camila abriu a boca.
Mil respostas se atropelaram em sua mente.
A verdade inteira.
Meias verdades.
Justificativas.
Desculpas.
Medo. Proteção. Amor.
Nada saiu.
O olhar de Ticiano era afiado, carregado de um ódio tão contido que parecia mais perigoso do que fera. Camila sentiu as palavras morrerem