Mundo de ficçãoIniciar sessão---
Acordo com um barulho. Luz do dia entrando pela janela. Meu corpo está dolorido, cada músculo gritando em protesto quando tento me mover. —Bom dia, dorminhoca — ouço a voz de Fernanda. Ela está na cozinha, preparando algo. O cheiro de café enche a sala. —Que horas são? — pergunto, com a voz rouca. —Quase meio-dia. Você precisava descansar. Tento me sentar, mas um gemido escapa dos meus lábios. Fernanda corre para me ajudar, colocando um travesseiro nas minhas costas. —Calma, devagar. Você está toda machucada — diz ela, com preocupação. —Eu estou um caco, né? — pergunto, com um sorriso amargo. —Você está viva. E é o que importa. Ela me entrega uma xícara de café. Minhas mãos tremem tanto que quase derrubo. —Olha, Isa... eu pensei melhor sobre a delegacia — diz ela, hesitante. —É, eu também pensei. Davi vai usar os contatos dele... — respondo, sentindo a esperança diminuir. —Não é isso. — ela hesita. — Talvez a gente precise de outra estratégia. —Como assim? — pergunto, franzindo a testa. Fernanda se senta ao meu lado. —Lembra que eu te falei que tinha uns amigos? O Rafael e o Vinícius? — pergunta ela. —Sim... — respondo, confusa. —Eles... eles têm alguns contatos. Gente que pode ajudar. Gente que não tem medo de Davi. —Fernanda, eu não quero meter mais ninguém nisso... — digo, preocupada. —Você não vai meter ninguém. Mas a gente precisa de ajuda, Isa. A gente não pode enfrentar Davi sozinhas. Eu fico em silêncio, pensando. Ela está certa. Davi tem poder, tem dinheiro, tem influência. Sozinha, eu não tenho chance. —E o que esses amigos... podem fazer? — pergunto, finalmente. Fernanda sorri, mas é um sorriso sem graça. —Eles podem te esconder. Em um lugar seguro. Até a gente descobrir o que fazer. —Esconder? Como assim? — pergunto, confusa. —Eles têm uma casa. No interior. Longe daqui. Ninguém vai te encontrar lá. —E você? Você vai comigo? — pergunto, sentindo o medo aperta meu peito. —Eu vou ficar aqui. Alguém precisa manter Davi distraído, fazer ele pensar que você ainda está na cidade — explica ela. —Fernanda, isso é perigoso demais... — digo, preocupada. —Eu sei. Mas é o único jeito. Eu seguro a mão dela. —Eu não quero que você se machuque por minha causa... —Você não está me dando escolha, abelhinha. Você é minha melhor amiga. E eu não vou deixar ele te destruir. As lágrimas voltam aos meus olhos. —O que eu fiz para merecer você? — pergunto, com a voz embargada. —Você sobreviveu. E a gente vai continuar sobrevivendo. Juntas. Ela se levanta e pega o celular. —Vou ligar para o Rafael. A gente vai organizar sua saída da cidade hoje mesmo — diz ela, decidida. —Hoje? — pergunto, surpresa. —Quanto mais cedo, melhor. Davi não vai demorar para descobrir que você está aqui. Meu coração acelera. —Mas eu não tenho nada... minhas coisas... — digo, desesperada. —A gente compra o que você precisar. O importante é você ficar viva, Isa. O resto, a gente resolve depois. Eu olho para minhas mãos machucadas. Para o rosto inchado que vejo refletido no espelho da sala. Para o celular desligado na gaveta, com as mensagens de Davi esperando para serem lidas. É agora, penso. É agora ou nunca. —Tá bom. Vamos fazer isso — digo, finalmente. Fernanda sorri, mas seus olhos estão marejados. —Vai dar certo, Isa. Você vai ver. E, por um instante, eu realmente acredito.






