Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla entra no quarto com aquele olhar carregado de reprovação e medo, mas é na voz dela que sinto o corte mais profundo.
—Davi? Que merda você fez? — ela pressiona, chegando perto, os olhos fixos em mim, esperando uma explicação que eu não quero dar, mas que não posso evitar. Eu engulo em seco, a raiva e a obsessão se misturam numa tempestade dentro do peito. —Eu... eu briguei. Estava dominado pela fúria, perdi o controle e tirei ela daqui, expulsei a única coisa que me mantém vivo — minha voz falha, mas não escondo o que faço. Ela arregala os olhos. —Você fez o quê? — repete, incrédula. Minha garganta aperta, mas não nego. —Eu mandei embora meu amor. A única que é minha... — digo, com a voz pesada, quase um sussurro torturado. Camila balança a cabeça, a expressão endurece. —Davi, o que você pensa? Tá doido? Essa menina já carregou um fardo pesado demais, e você só piora tudo! Melhor deixar ela ir. A raiva que me domina não me deixa ouvir suas palavras de consolo. Eu grito por dentro: Como vou deixá-la partir? Eu a amo com cada gota de sangue que corre nas minhas veias. Eu a possuo. —Você acha que eu vou deixar ela viver sem mim? Eu a quero, toda. E vou buscar ela, onde quer que esteja escondida — minha voz é fria, firme, cheia daquele veneno que não conhece limites. Camila segura meu braço, firme, quase que implorando. —Davi, escuta... ela ainda te ama, mas você não pode continuar assim. Você destruiu o pouco que tinha. Se quiser ela de volta, vai ter que ser diferente, mais do que nunca. Não adianta basear amor na violência. Ela precisa de algo que você não sabe dar. Eu a encaro, os olhos queimando, mas com a mesma determinação obscura. Eu sinto o peso das palavras de Camila, mas elas só inflamam ainda mais essa chama negra que arde dentro de mim. Não sou homem de me curvar, muito menos de admitir fraquezas - e ela sabe disso. Posso até ter perdido o controle por um momento, mas perdi para a raiva, para a possessividade que me corrói as entranhas. Sinto a dor latejante na mão cortada, quando a voz de Camila invade o silêncio, carregada de reprovação e preocupação. Ela me encara com aqueles olhos que misturam julgamento e um raro carinho - mas eu? Eu vejo além disso. Vejo fraquezas que posso usar como moeda para o meu jogo. Ela fala, mostrando sua fúria contida: —Davi, ela te ama demais, e mesmo assim, vou te dizer o que ninguém tem coragem: você não merece a mulher que tem. Se fosse comigo, eu nunca mais olharia na sua cara. Um sorriso frio escapa dos meus lábios. —Bela irmã, é mesmo você — digo, com ironia. Ela continua, com uma intensidade quase desesperada: —Cara, olha o que você fez com ela, humilhou, machucou mais do que qualquer um. Eu te peço, pelo menos por mim, não vai atrás dela. Eu inclino a cabeça, fixo nos olhos dela um olhar vazio, calculista. Minha voz baixa, quase um sussurro venenoso, cortando o ar: —Eu vou atrás dela. Vou buscá-la onde quer que esteja, e vou trazê-la para o único lugar que importa. O lugar onde ela nunca deveria ter saído... meus braços. Camila respira fundo, como se tentasse segurar uma tempestade. —Foi você quem quis assim, Davi. Você teve ela e não soube valorizar. Ela precisa de carinho, não de pancadas. Se quiser que ela volte, vai ter que mudar - se não, não vai acontecer nada. Vai ter que reconquistar ela de verdade. Eu dou um sorriso de canto, quase zombeteiro. Não percebo razão em admitir minhas falhas, mas uso cada palavra para preparar meu próximo movimento. —Como faço isso? — pergunto, fingindo dúvida, enquanto cada pensamento já está arquitetando a próxima jogada. Ela responde, firme: —Voltando a ser como antes. Você não conquistou ela à base de pancadas, lembre-se disso. Sinto o olhar fixo de Camila, a intensidade dela me desafiando, como se tentasse arrancar de mim uma fraqueza que não vou mostrar. Meu sorriso se amplia, carregado de uma calma traiçoeira - a calma daquele que sabe exatamente o jogo que está jogando. —Claro, irmã, vou voltar a ser como antes... — respondo, a voz mansa, quase sedutora. Mas não se engane. O que se chama de "antes" é só a superfície. Por dentro, eu estou mais astuto, mais perigoso. Vou conquistar ela de novo, não com gritos ou violência descontrolada, mas com a obsessão fria de quem sabe que só a posse total vale. —Só não faça ela sofrer mais do que já sofreu, Davi — diz Camila, com a voz cansada. Dou um sorriso quase imperceptível, carregado de promessas sombrias. Camila respira fundo, ela se aproxima, com a resignação de quem aceita um destino difícil. —Então vamos levantar. Vou cuidar desse seu corte — ela faz um gesto firme, quase maternal.






