Mundo de ficçãoIniciar sessãoTínhamos acabado de chegar ao cartório de registro civil quando, de repente, Daniel Silva falou no meu ouvido: — Na verdade, eu já sou pai. Ele me olhou com uma expressão sincera. — Não posso casar com você no civil agora. Mas posso te dar todo o resto. Fiquei sem reação, encarando os documentos que tinha preparado e segurava nas mãos. Demorei um bom tempo até conseguir perguntar: — Por que você nunca me contou isso antes? Daniel deu de ombros e sorriu, sem parecer muito arrependido. — Achei que você se importasse mais comigo. Fiquei calada por um instante. Meus lábios tremiam. — E se eu fizer questão de casar no civil? Ele provavelmente nem imaginava que, sem aquela certidão, perderia nós dois: o bebê e eu morreríamos juntos.
Ler maisNa última página, a letra estava toda trêmula e irregular, e o papel ainda carregava marcas de lágrimas.Com a verdade diante dos olhos, Daniel mal conseguia respirar.Eu já tinha deixado tudo escrito no diário.Se, naquela época, ele tivesse parado para prestar um pouco mais de atenção, se tivesse confiado um pouco mais em mim, nada teria chegado àquele ponto.Mas Daniel nunca tinha me escutado de verdade.Para ele, eu não era diferente das mulheres que se aproximavam por interesse. Ele sempre acreditou que eu só queria seu dinheiro e sua posição.Ao perceber isso, Daniel desmoronou de vez.Ele se encolheu no chão, apertando o diário contra o peito, enquanto gritos roucos escapavam de sua garganta em meio ao choro.— O que foi que eu fiz...? Eu matei Beatriz! Eu matei o bebê!Ele bateu a testa com força contra o chão.A pele logo se abriu, e o sangue escorreu até seus olhos, tingindo sua visão de vermelho.Ele não sentia a dor do ferimento.A dor dentro do peito era dez mil vezes pio
De repente, as pernas de Daniel perderam a força, e ele caiu no chão outra vez.A testa bateu com força, abrindo um corte que começou a sangrar na mesma hora.Mesmo assim, ele não desistiu. Continuou se arrastando com todas as forças, decidido a me encontrar.No fim, o médico que chegou às pressas precisou aplicar um sedativo.Pouco depois, Daniel perdeu a consciência.Quando acordou novamente, parecia ter voltado ao normal.Durante o dia, se enterrava no trabalho de forma ainda mais obsessiva do que antes.Antes, trabalhava até a exaustão pela família.Agora, fazia isso para não sentir nada.Era como uma máquina incapaz de parar. Passava o dia inteiro no escritório, da manhã até a noite.Nunca mais falava de mim por iniciativa própria e nem sequer olhava o celular, como se eu nunca tivesse feito parte da vida dele.Até uma noite de chuva torrencial.Daniel estava dirigindo quando viu uma mulher de costas.Sobretudo marrom, saia longa de corte reto, cabelos compridos caindo soltos pe
Olhei para as lágrimas nos olhos de Daniel e para o peito dele, subindo e descendo entre os soluços.Por um instante, hesitei.Talvez ele realmente tivesse me amado. Talvez tivesse se importado comigo de verdade.Mas bastava lembrar das minhas súplicas antes de morrer, do laudo de gravidez que ele rasgou em pedaços e daquela cerimônia absurda para entender uma coisa: Daniel só me amava quando isso não contrariava as vontades e os interesses dele.Amar Daniel durante cinco anos tinha sido um erro meu.E o fracasso da missão de conquista era uma consequência que eu também precisava aceitar.Agora, eu e o bebê estávamos mortos.Então, fosse arrependimento ou culpa, nada do que ele sentia ainda tinha importância para mim.Falei com frieza, sem demonstrar qualquer emoção:— Daniel, não adianta insistir. Eu já morri. Você sempre quis saber por que eu fazia tanta questão daquela certidão de casamento, não é? É porque sou uma conquistadora, e você é o alvo da minha missão.— Naquele dia, bast
Os pais de Daniel correram imediatamente até Clara e Paulo e ajudaram os dois a se levantar.Ao verem Paulo ferido, se voltaram para Daniel, em tom de censura:— Beatriz já morreu! Agora você quer machucar Paulo também? O que você quer, afinal?Daniel estava lívido e mal conseguia falar.— É, eu fiquei louco. Vocês me levaram a esse ponto.Terminou quase aos berros:— Sumam todos da minha frente!Os jornalistas ergueram as câmeras fotográficas e as filmadoras na mesma hora.Inúmeras câmeras registraram cada detalhe do descontrole de Daniel.Daniel me viu sendo levada para longe, cercada pela equipe médica.Sua visão escureceu de repente. Ele caiu no chão e perdeu completamente a consciência.O caos voltou a tomar conta do local.Eu observava tudo ali ao lado, com frieza.O desespero dele, o choro, os gritos, a queda... Nada daquilo me tocava.Apenas acompanhei o trajeto, vendo Daniel ser levado para a sala de reanimação.Os médicos trabalhavam sem parar para salvar Daniel, enquanto o
Último capítulo