O Amor Ficou, Mas Você Foi Embora
O Amor Ficou, Mas Você Foi Embora
Por: Sucesso Todo Dia
Capítulo 1
Daniel não respondeu.

Só me olhou com indiferença, como se eu nem precisasse perguntar.

Suspirou, enxugou as lágrimas nos cantos dos meus olhos e falou baixo:

— Clara salvou a vida dos meus pais, e nossas famílias são amigas há muitos anos. Eu amo você, mas só ela pode ser minha esposa.

A revolta, o ressentimento e a raiva apertaram meu peito.

Minha garganta parecia se fechar, e senti um gosto de sangue na boca.

Eu ainda estava sem reação quando Daniel me levou para dentro do carro.

— Minha família me drogou naquela época. Só tive Paulo por causa disso. Depois, meus pais concordaram em aceitar você, desde que eu não abrisse mão do meu filho.

Ele fez uma pausa antes de continuar:

— Beatriz, eu não sinto nada pela Clara. Você me ama, não uma certidão de casamento...

Mas aquela certidão nunca tinha sido só um pedaço de papel para mim.

Minha vida dependia dela.

Era a única maneira de cumprir a missão e manter vivo o bebê que eu esperava.

De repente, a voz fria do sistema ecoou na minha cabeça, repetindo sem parar: [Missão de conquista fracassada! Você será eliminada em breve! Restam apenas 48 horas.]

Fechei os olhos por um instante e me obriguei a conter o que sentia.

Estendi a mão, agarrei a manga de Daniel e falei, quase implorando:

— Posso deixar de lado essa história da Clara e do Paulo, mas quero casar com você no civil.

Daniel fechou a cara na mesma hora.

— Você quer que eu volte lá e obrigue Clara a se divorciar? Que eu arrisque perder meu direito à herança da família Silva só para te dar essa certidão? Desde quando você ficou tão egoísta?

Com um puxão brusco, ele soltou a manga que eu segurava.

Senti uma dor forte no peito, como se tivesse levado uma pancada.

Olhei para Daniel pelo retrovisor.

Ele conservava a elegância de sempre, mas os olhos, antes tão cheios de amor, agora deixavam transparecer certa impaciência.

Eu ainda não tinha perdido o controle, mas as lágrimas já escorriam pelo meu rosto e pingavam na palma da minha mão.

Daniel acabou suavizando a voz e voltou a enxugar minhas lágrimas.

— Eu te prometo: é você que eu amo. Para mim, você é minha esposa. Até os meus bens são seus e do bebê. Não chora mais... tá bom?

As palavras dele soavam apaixonadas, mas eu não conseguia responder.

Para ele, toda a minha insistência era pelo título de esposa e pelo direito à herança.

Daniel enrolou distraidamente uma mecha do meu cabelo comprido no dedo e continuou, com a mesma segurança:

— Você escolhe. Ou a gente faz a cerimônia como planejado, ou...

Era o mesmo tom de cinco anos antes, quando me pediu em casamento com um buquê de tulipas nas mãos e prometeu me dar um lar.

Ele sempre teve certeza de que eu não conseguiria me separar dele.

Ficamos nos olhando, e eu permaneci em silêncio por um longo tempo.

Pousei a mão sobre a barriga levemente arredondada e fiz um carinho suave.

Por fim, assenti.

Daniel, eu também vou te dar uma última chance de escolher.

Ou você assume de verdade o papel de pai desse bebê, ou se prepara para perder a nós dois: eu e o bebê.

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