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Capítulo 3 — "Eu sou a sua força, Alana. Sou a sua proteção. Meu nome é Aisha."

POV Alana Dumont

O som do meu salto alto estalando contra o piso de porcelanato polido dos corredores da Dumont Holding era o único aviso de que a nova soberana estava chegando. Eu caminhava ao lado de Arthur, que segurava a pasta de couro preto com os documentos do Vale Sangrento. Minha postura estava perfeitamente ereta, lapidada por anos de etiqueta e pelo peso de uma holding bilionária que agora dependia da minha assinatura.

Eu usava o meu terno branco perolado favorito. Meu cabelo estava preso em um coque alto, firme e impecável, sem um único fio fora do lugar. No pulso, o relógio de luxo marcava exatamente o horário da reunião. Eu não tinha mais nada daquela garota assustada que pegou um ônibus no meio da noite. Por fora, eu era a Vice-CEO Alana Dumont. Por dentro, a loba que passara três anos em um sono profundo de cura permanecia em silêncio.

Até que a porta de vidro fosco se abriu.

No instante em que cruzei o batente e meus olhos focaram no homem sentado no centro da mesa de conferências, o mundo ao meu redor ruiu.

BUM.

Foi como uma explosão silenciosa no meu peito. O ar condicionado da sala desapareceu, substituído por uma lufada invisível de tempestade, carvalho e hortelã fresca. O cheiro de Hunter Collins. Minhas pernas vacilaram por uma fração de segundo, e um calor violento correu pelas minhas veias, quebrando o gelo que passei três anos construindo.

Na escuridão da minha mente, a criatura que estava adormecida abriu os olhos. Duas fendas douradas e brilhantes rasgaram a minha consciência. Ela se ergueu, sacudindo a pelagem branca, e soltou um uivo que ecoou dentro do meu crânio, forte o suficiente para me fazer tontear.

“Finalmente...” — uma voz feminina, rouca, selvagem e carregada de um poder ancestral ressoou na minha cabeça.

Quem é você? — perguntei mentalmente, tentando manter meus olhos humanos fixos nos relatórios para que Hunter não percebesse o meu desespero interno.

“Eu sou a sua força, Alana. Sou a sua proteção, a parte de você que ele tentou esmagar, mas não conseguiu” — a voz ecoou, firme e possessiva. “Meu nome é Aisha. E o nosso parceiro está bem ali.”

Ele nos rejeitou, Aisha! Ele nos humilhou! — rebati mentalmente, sentindo a raiva humana colidir com o instinto dela.

“Eu sei. Sinto a cicatriz sangrar em nós tanto quanto você” — Aisha rosnou na minha mente, arranhando as paredes da minha consciência enquanto observava Hunter do outro lado da mesa. “Minha metade humana quer vê-lo sofrer, e eu vou te ajudar a esmagá-lo no jogo dos humanos. Mas meu instinto de loba quer aquele macho de joelhos, implorando para ser nosso novamente. Não lute contra mim, Alana. Juntas, nós somos invencíveis.”

Engoli o nó na minha garganta, forçando o meu lado racional a assumir o controle. Hunter Collins estava estático do outro lado da mesa. No mundo dos humanos, lobos não rosnam em público, mas a reação física dele foi violenta. Seus ombros travaram e suas mãos espalmaram-se sobre o mogno para garantir o equilíbrio. Suas pupilas dilataram-se instantaneamente até que seus olhos ficassem completamente negros. O laço de alma que ele havia quebrado estava chicoteando o lobo dele com um arrependimento avassalador.

Ao lado dele, Vívian Miller soltou um suspiro sufocado, a cor sumindo completamente de suas bochechas maquiadas.

— Alana...? — o sussurro de Vívian saiu agudo, quebrando o silêncio.

Eu não pisquei. Meus olhos esmeralda encontraram os de Hunter com a frieza de um iceberg.

— Senhora Dumont, por favor — corrigi com uma voz suave e cortante. Olhei diretamente para Vívian, fazendo-a engolir em seco. — No ambiente corporativo da Dumont Holding, prezamos pela formalidade, senhorita Miller.

“Isso, Alana. Deixe a fêmea tola sangrar de inveja”, Aisha sussurrou na minha mente, lambendo as próprias presas em sinal de aprovação.

Hunter continuava encarando-me como se estivesse diante de um fantasma esculpido em diamantes. O pomo de adão dele subiu e descendo com dificuldade.

— Alana... como isso é possível? — a voz de Hunter saiu falha, rouca, despida de toda aquela autoridade de Alfa Supremo. Ele deu um passo involuntário para a frente, os olhos fixos nos meus, suplicando por um vislumbre da garota ingênua que ele conhecia.

— Senhor Collins, por favor, sente-se — interrompi, batendo levemente com a ponta da minha caneta de ouro sobre a mesa, cortando sua aproximação. — Estamos aqui para tratar da iminente falência da Collins Exportações, não para relembrar velhos conhecidos do interior. O tempo da holding é precioso.

O advogado deles tocou no braço de Hunter, puxando-o discretamente para que se sentasse. Hunter desabou na cadeira de couro, mas seus olhos negros não se desviaram de mim por um único segundo. Ele estava completamente hipnotizado, obcecado.

— Muito bem — comecei, abrindo a pasta preta. — A situação de vocês é catastrófica. Fingindo gerenciar uma exportadora de madeira tradicional para o mercado humano, os senhores acumularam dívidas trabalhistas e o banco vai executar as garantias das terras de vocês em exatamente trinta dias. Vocês estão falidos.

Vívian Miller limpou o suor frio da testa, tentando assumir seu papel de conselheira, embora sua voz tremesse.

— Nós temos um patrimônio natural bilionário naquelas montanhas, senhora Dumont. Só precisamos de um aporte emergencial, um empréstimo da Dumont para cobrir os juros do banco.

Olhei para Vívian com um sorriso milimetricamente calculado.

— A Dumont Holding não é um banco de caridade, senhorita Miller. Serei muito direta com as condições da nossa holding. Nós não faremos uma fusão de ativos. Nós faremos uma aquisição majoritária. Para a Dumont quitar as dívidas de vocês e salvar as terras do Vale Sangrento, setenta por cento de todas as ações, lucros e decisões operacionais da Collins Exportações passarão permanentemente para as minhas mãos. Eu serei a dona do futuro de vocês.

— Setenta por cento?! — Vívian quase gritou, levantando-se da cadeira de forma histérica. — Isso é um absurdo! É um roubo! Você quer nos deixar sem nada! Hunter, reaja! Ela está fazendo isso de propósito, por vingança por causa daquela noite!

O meu advogado pessoal, Dorian, um híbrido, ergueu a mão, interrompendo o surto de Vívian com um olhar severo.

— Senhorita Miller, modere o tom ou pedirei aos seguranças que a retirem da nossa sala.

Hunter nem sequer olhou para a noiva. Ele continuou focado em mim. O controle acionário da empresa parecia não significar nada perto do desespero que corria em suas veias ao me ver tão soberana e inalcançável.

“Veja como ele nos olha” — Aisha sibilou na minha mente, sua cauda balançando devagar. “O lobo dele está uivando de dor. Ele sabe que a rainha dele agora usa terno e dita as regras. Faça-o assinar, Alana. Pegue o que é dele.”

— Você quer o controle absoluto, Alana? — Hunter perguntou, a voz descendo a um tom perigosamente baixo, ignorando as reclamações de Vívian.

Ergui meu queixo, sustentando o olhar do Alfa com uma tranquilidade absoluta.

— Eu quero o que é justo para os meus negócios, senhor Collins — respondi, deslizando a caneta de ouro em direção a ele com um sorriso imperturbável. — Vocês têm cinco minutos para assinar. Ou podem pegar as suas pastas, voltar para as montanhas e assistir ao banco humano leiloar cada hectare das terras de vocês. A escolha é sua.

Hunter estendeu a mão trêmula, pegando a caneta de ouro. Seus olhos castanhos, agora brilhando com uma intensidade obsessiva e uma promessa silenciosa de que não desistiria de mim, fixaram-se nos meus enquanto ele assinava o documento, entregando o destino de sua alcateia às minhas mãos.

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