Vitória ficou na casa de Sofia mais dias do que havia planejado.
Não porque precisasse.
Mas porque ali o tempo parecia menos vigilante.
As manhãs eram leves, feitas de café atrasado, conversas soltas e silêncios que não exigiam explicação. À noite, dividiam o sofá, riam de coisas pequenas, falavam do futuro como quem toca num vidro fino — com cuidado, sem apertar demais.
O dia da partida chegou sem drama.
Só com aquele incômodo discreto que antecede as despedidas verdadeiras.
No aeroporto