Mundo de ficçãoIniciar sessãoRebecca Callaway tinha se casado apaixonada por um homem que não a amava. Ela sabia disso, mas às vezes o coração é caprichoso demais. Henry Sheppard tinha sido obrigado a aceitar aquele casamento para salvar sua empresa: seus negócios com o pai de Rebecca o tinham colocado à beira da falência quando Curtis Callaway foi preso por fraude. O acordo tinha sido simples: Curtis o isentava de toda responsabilidade, mas ele tinha que se casar com sua única filha e protegê-la. E Henry tinha feito isso, culpando-a, odiando-a, responsabilizando-a por arruinar sua união com a mulher que ele realmente amava. Seu único consolo era que aquele casamento tinha data de validade: terminaria depois de cem beijos. Isso era a única coisa que Rebecca tinha pedido para deixá-lo livre: cem beijos. Ele a odiou durante os primeiros noventa e nove... O que acontecerá quando, em vez de pedir o beijo número cem, ela lhe entregar o divórcio assinado? Ele desprezou os primeiros noventa e nove... e ela fará com que ele se arraste pelo último.
Ler maisSeija ergueu o olhar imediatamente, surpresa, mas do outro lado da linha a mulher continuou falando — porque pra ela era um dia normal e uma ligação normal."Tentamos contato com o senhor… Gregory, mas não foi possível localizá-lo, e o senhor Marshant… quero dizer, o ex-marido da senhora… bom, na ligação dele ficou muito claro que não vai se responsabilizar pelas despesas funerárias. Sabe como é… com palavras bastante coloridas que não vou repetir por respeito…"Camilo ficou em silêncio por alguns segundos e o ar no quarto pareceu ficar mais pesado. Seija conseguia sentir como aquela dor o inundava, como aquela decisão parecia vibrar sob a pele dele, como lutava com tantos sentimentos contraditórios — mas por fim falou com voz tranquila.— Eu me responsabilizo."Claro, senhor", respondeu a mulher visivelmente aliviada. "Nesse caso vamos precisar que o senhor venha até o escritório para assinar alguns documentos e definir os detalhes do serviço."— Farei isso — respondeu Camilo bai
Camilo piscou, surpreso, como se realmente não fosse capaz de entender a origem ou o propósito daquela pergunta.— Sara?— Sim. Sara. Sara a que veio com você do Canadá — se desesperou Seija, e ele deixou escapar uma risadinha, porque aquilo se parecia bastante com exigir uma explicação ciumenta, e isso ele adorava.— Sara é minha advogada.— Mas ela veio com você!— Claro que veio comigo! — respondeu ele, e encolher os ombros como se fosse óbvio o fez fazer uma careta. — Tinha uma audiência legal. Eu precisava da minha advogada. Claro que ela veio comigo!Seija o olhou com uma expressão cética.— Sim… bom… que conveniente — resmungou, e ele sentiu que estava derretendo.— Nunca tive nada com ela — disse Camilo com firmeza. — Absolutamente nada que não seja profissional. É uma ótima pessoa, que além disso tem a própria família.Seija ficou em silêncio por alguns segundos e então suspirou.— Suponho que faz um pouco de sentido — murmurou por fim, e Camilo arqueou uma sobrancel
O banheiro do apartamento de Seija transbordava mármore e luxo — no entanto, quando a moça fechou a porta atrás dos dois, o silêncio ficou suspenso no ar como se ambos estivessem conscientes demais do que significava estar ali juntos, num espaço tão pequeno, depois de tudo que tinha acontecido entre eles.Camilo se apoiou com uma mão na parede enquanto respirava com cuidado. Ainda estava fraco, ainda tinha a atadura no peito e em meio costado, mas insistia em se comportar como se nada fosse grave.Seija o observou por um segundo com os braços cruzados.— Me deixa tirar a sua roupa — disse por fim com um tom prático, como se aquilo não fosse incômodo pra nenhum dos dois. — Você mal consegue se manter em pé.Camilo soltou uma risadinha cansada.— Já sobrevivi a coisas piores.— Sim, bom — respondeu ela enquanto abria o registro do chuveiro —, mas agora você acabou de sair de um hospital, então para de fazer o herói.A água começou a cair com um murmúrio constante, enchendo o banhe
A semana seguinte foi lenta, marcada por controles médicos, medicamentos e pequenas melhoras que pareciam enormes vitórias. Camilo começou a caminhar com ajuda, a respirar sem assistência, a recuperar a cor no rosto.Quando os médicos finalmente deram alta, Henry e Rebecca chegaram ao hospital pra buscá-los.— Você tá com cara de menos morto — comentou Henry com um sorriso contido.— É o melhor elogio que recebi essa semana — respondeu Camilo enquanto Rebecca abraçava Seija com força.A primeira parada depois da alta foi o apartamento de Camilo, que não pôde evitar ficar olhando ao redor quando entraram. Estava tudo em ordem, impecável, mas vazio… e Seija também percebeu: não havia ninguém esperando por ele, ninguém que ficasse com ele.Ela observou como ele caminhava devagar até o sofá, ainda fraco demais pra se mover com naturalidade, e se virou pra Henry.— Leva ele de volta pro carro.Camilo ergueu a cabeça.— O quê…?— Você vem comigo.— Não precisa. Eu tô…— Se você di





Último capítulo