Mundo ficciónIniciar sesiónUm ano e meio após a morte de Antony e Emily, as coisas começam a piorar.
Leer másA música da banda da escola ecoava pelo campo aberto, espalhando-se pelo gramado como se quisesse alcançar além dos muros. O som misturava-se ao vento morno da tarde, às palmas ritmadas, às vozes animadas de professores, funcionários e convidados que se aglomeravam em pequenos grupos.
Lívia estava ao lado de sua melhor amiga, Ayla Minji, tentando acompanhar aquele clima coletivo que nunca parecia feito para ela.
Ayla cantava o hino da escola sem decidir se estava cantando ou gritando — optando, como sempre, por fazer os dois ao mesmo tempo. Havia algo quase cômico na entrega exagerada, e Lívia não conseguiu evitar um meio sorriso ao observá-la.
A mulher ao seu lado era alta, esguia, dona de uma elegância tranquila, daquelas que não pedem atenção, mas inevitavelmente recebem. Os cabelos curtos, já assumidamente brancos, davam a Ayla um ar moderno e seguro, como alguém que não precisava provar nada a ninguém.
À primeira vista, Ayla parecia feita de silêncio.
Mas Lívia sabia bem.
Por trás daquela calma quase didática, havia uma mente inquieta, cheia de planos repentinos, ideias atravessadas e risadas escandalosas — muitas vezes contidas por pura conveniência social. Ayla inspirava confiança imediata, como se nada fosse capaz de tirá-la do eixo.
Embora, por dentro, fosse um carnaval permanente.
Lívia, por sua vez, sentia-se deslocada como sempre.
Baixa, dona de um cabelo ruivo cacheado que parecia ter vida própria, ela tinha a constante impressão de que nunca se encaixava totalmente nos espaços. Os fios volumosos, ora rebeldes, ora excessivamente domados, refletiam exatamente como ela se sentia na maior parte do tempo.
Nem magra.
Nem gorda. Sempre “entre”.Vestia 40 em algumas lojas, 42 em outras, e aquela oscilação lhe parecia um resumo cruel da própria existência. Nunca era exatamente o que esperavam, mas também nunca era invisível o suficiente para passar despercebida.
Ela e Ayla funcionavam porque eram opostas.
Onde uma era excesso, a outra era pausa.
Onde uma se espalhava, a outra se recolhia.Talvez por isso fossem inseparáveis.
— O que foi, amiga? — Ayla perguntou, sem diminuir o entusiasmo.
— Nada — Lívia respondeu automaticamente.
Ayla arqueou uma sobrancelha. Conhecia bem aqueles “nadas” cheios de tudo.
— Fala logo.
Lívia suspirou antes de ceder:
— A gente precisava mesmo estar aqui?
Ayla riu baixo.
— Mana… a gente trabalha aqui.
— Eu sei — Lívia respondeu, observando o palco improvisado à frente. — Mas precisamos ficar até o final?
— Precisamos — Ayla confirmou, agora mais séria. — O “Caviar” finalmente vai aparecer.
Lívia fez uma careta.
O apelido vinha do ditado: “nunca vi, nem comi, só ouço falar”. O chefe era uma entidade quase mítica. Conhecido apenas por e-mails formais, áudios objetivos demais e decisões tomadas sempre à distância.
— Ele aparece, faz o discurso, finge que é gente como a gente — Ayla continuou — e aí acabou. Prometo.
— Pelo menos a voz dele é bonita — Lívia murmurou.
Ayla riu e passou um braço ao redor dos ombros dela.
— Te acalma, formiga atômica.
Lívia adorava o apelido.
Para ela, as duas pareciam uma refilmagem improvável de Irmãos Gêmeos: Ayla com seus quase um metro e oitenta, imponente; e ela com seus um metro e cinquenta e quatro — que insistia em arredondar para cinquenta e cinco por puro orgulho.
— Tô calma — Lívia respondeu, irônica. — Meu avatar particular.
Mentira.
Por dentro, a ansiedade se acumulava em camadas. Lívia só conseguia pensar em ir embora. Em chegar em casa. Em tirar os sapatos. O sutiã. Em recuperar o silêncio que aquele evento parecia ter roubado.
Tudo aquilo parecia exagerado demais.
Discursos ensaiados, aplausos obrigatórios, sorrisos corporativos — quando uma reunião rápida no Teams teria resolvido tudo sem exigir paciência coletiva. Na cabeça dela, aquele chefe idolatrado era apenas alguém que herdou uma escola pequena e soube expandi-la.
Mérito existia, claro.
Mas ainda assim… preferia estar em sala de aula. Com seus alunos. Onde o tempo fazia sentido.
Enquanto os aplausos se repetiam, Lívia respirou fundo, tentando afastar o incômodo.
No fundo, era grata.
Não tinha ficado rica, mas a vida estava estável. As contas em dia. O apartamento pequeno, mas conquistado. O sofá confortável. O café gourmet que nunca faltava. Os doramas que a esperavam ao fim do dia como um prêmio silencioso por ter sobrevivido a mais uma jornada social.
Era o suficiente.
Ou costumava ser.
— Daqui a pouco ele chega — Ayla disse.
Lívia seguiu o olhar da amiga até o céu aberto sobre o campo.
O vento mudou.
Nada que ela pudesse explicar — apenas uma sensação estranha, como se o ar tivesse ficado mais denso por um instante. Lívia franziu a testa, ignorando o arrepio breve que percorreu seus braços.
— Tá — disse, por fim. — Só… fica perto de mim, tá?
Antes que Ayla pudesse perguntar o motivo, o som distante de hélices começou a cortar o ar.
E, sem saber por que, Lívia teve a estranha sensação de que estava atrasada para algo que nunca pediu para viver.
Tudo ocorreu de acordo com o esperado, mesmo depois de alguns contratempos, finalmente estavam pousando no aeroporto de Raise City. A mulher encarou o céu cinzento tentando avistar o sol, ou alguns raios que sejam, porém, sem nenhum sucesso, pois o frio a neve e a escuridão parcial do dia se faziam presentes de maneira forte e implacável. Emília e Cléber entraram na limusine que os levaria ao lugar que tanto procuravam. As ruas da cidade estavam quase desérticas, alguns comércios ainda estavam fechados mesmo com o avanço do dia, na verdade, era até estranho, já que o ano novo havia se indicado pouco mais de dois dias atrás. Aquela cidade estava mais fria que o normal, a respiração se tornava fria assim que deixava o corpo quente. — Muito quieto e silencioso por aqui… — Cléber comentou quebrando o silêncio. — Agora que eu entendo o que somos, acho que preferia quando estávamos alheios a tudo. — resmungou. Cléber a abraçou
A nossa terra… Uma pequena esfera cheia de vida em meio a grande imensidão do espaço. No início, os demônios, tomavam conta, mas com muita luta foram vencidos, porém, milhares de anos depois eles ressurgiram com força total, prontos para destruir-nos sem um pingo de Piedade. Em todos os cinco continentes houveram ataques das forças de Trinity Maquiavel, por mais que fossem fracos, comparados aos ataques em Raise City para exterminar os Guerreiros Celestes, ainda assim tiveram suas consequências. As sedes da Corporação nas capitais, não fazia ideia do que estava havendo, e que todos os ataques ali presentes tinham ligação com Trinity. É certo que algo grande estava por vir, maior do que qualquer ser humano fosse capaz de suportar, mas até quando essa tormenta continuará? Pelas ruas de uma pequena favela, um casal caminha sorrateiramente, por entre os becos escuros e pessoas amedronta
EMELIE Depois de uma noite mal dormida, devido às grandes reclamações de Ben sobre o quarto não estar a sua altura, levantamos bem cedo, a menina loira que estava com Calebe veio nos trazer o café da manhã e após nos encarar por um tempo, apenas saiu sem dizer nada. Na minha opinião, Ben, se tornou um pouco ranzinza depois que Dara informou que ficaria ausente por um tempo. Esperamos por algumas horas, que aparentavam ser uma eternidade, pensei que nossa presença só seria requerida à tarde. Com algumas batidas na porta, desperto dos devaneios e encaro a garota que veio nos guiar até a tal sala de reunião. Vitória, se não me engano, é o seu nome, negra, olhos castanhos, cabelos com cachos super definidos, pele sedosa e um sorriso de dar inveja. — O morcego zumbi, quero dizer, Calebe, ‘’pediu" educadamente para eu vir buscá-los. — informou me encarando. — Então, vamos! — Benjamim diz se levantando. — Espera! — ela quase
VITÓRIA Estávamos há duas horas acordados esperando o morcego zumbi aparecer, mas claro que ele não perderia a chance de nos fazer esperar aqui. Confesso que fiquei muito curiosa com o que faríamos hoje e mais ainda com essa tal "informação importante" que ele possui e não quis falar, mesmo que eu tenha ido noite passada em seu quarto e ficado meia hora chorando aos seus pés implorando para que me contasse ao menos um pedacinho. Me humilhei atoa, fiz tudo isso para no fim acabar sendo enxotada para fora do quarto por um Calebe muito zangado. O que podia fazer, o perigo me atrai do mesmo modo que mel atrai ursos famintos. Eu não estou faminta, não por comida, mas por informação. Algo me diz que um acontecimento importante está por vir, que vai mudar o rumo de tudo. — Vitória! — Gisele resmungou — Pare com isso agora. A encarei com a sobrancelha arqueada, depois olhei para o lápis em minha mão, o qual eu estava usando pa
Último capítulo