Capítulo 3

Rodrigo dirigiu seu Bugatti chamativo de volta para a antiga mansão da família.

Assim que entrou, deu de cara com o velho patriarca à sua espera, ostentando uma expressão severa. O mais velho arrancou uma revista de fofocas de sobre a mesa e a atirou aos pés do filho.

— Da última vez foi uma modelo qualquer, desta vez é uma celebridade! Você está tentando me enlouquecer?!

Rodrigo fez uma breve pausa, recolheu a revista do chão, limpou a poeira com um gesto casual e disse:

— Por que isso te deixaria furioso? Na verdade, isso é ótimo. Quem ousaria me pressionar para casar agora, sabendo da minha fama, não é?

Anselmo Weller rangeu os dentes, lívido:

— Seu pirralho! Você está trazendo vergonha para o nome da família!

O que realmente irritava o Velho não eram apenas as fofocas de Ano Novo, mas o boato persistente de que o alvo de seu interesse era um homem. Ele não podia aceitar a ideia de que seu herdeiro fosse gay. A família Weller possui uma história militar ilustre e construiu um império que abrange os setores imobiliário, tecnológico, financeiro e de saúde. Anselmo sentia o coração fraquejar só de imaginar que o filho pudesse não dar continuidade à linhagem.

— Não me importa! Você tem que se casar este ano! Ouvi dizer que o filho da família Oslon vai se casar com alguém da família Dutra. E você? Vai me fazer perder para o velho Oslon?As famílias Weller e Oslon alimentavam uma rivalidade de décadas. A falecida esposa de Anselmo havia sido o primeiro amor do patriarca Oslon, e desde então, as duas famílias competiam em tudo: do tamanho dos lucros ao número de filhos e, agora, quem casou os herdeiros problemáticos primeiro.

Rodrigo deu um sorriso enigmático e respondeu em tom arrastado:

— Casamento, hein... Pois saiba que já me casei. A certidão ainda está fresquinha. Gostaria de ver?

A expressão de Anselmo mudou instantaneamente.

— O quê? Já resolveu isso? Cadê? Deixe-me ver agora mesmo!

Rodrigo entregou o documento ao pai.

— Consegue ler claramente? Ou quer que eu peça para buscarem seus óculos na antiga floricultura?

Anselmo resmungou, conferindo o papel:

— Saia daqui, me deixe em paz.

Era, de fato, uma certidão de casamento. A foto era recente; as roupas que o filho usava no registro eram as mesmas que vestia agora.

— Você não falsificaria isso para me enganar? — perguntou o velho, ainda cético.

— Não tenho tempo sobrando para isso. Se não acredita, apresentarei sua nora em breve.

Rodrigo sorriu internamente. Ele mal podia esperar para ver a reação de todos quando descobrissem quem era sua esposa — e se perguntava quando ela perceberia que o havia confundido com outra pessoa no cartório.

Enquanto isso, Sara arrastava duas malas para fora da casa de Austen . A governanta, Ali, que chegava das compras, interceptou.

— Senhorita Sara, vai fazer uma viagem de negócios?

Sara forçou um sorriso discreto:

— Sim, uma viagem de trabalho.

— Que pena! Comprei tantos ingredientes... Quando voltar, me mande uma mensagem e farei seus pratos favoritos.

Sara apenas assentiu gentilmente. Ela sabia que, em breve, haveria uma nova patroa naquela casa e que ela jamais voltaria.

— Obrigada. Já vou indo.

A governanta observou a figura de Sara se afastar, sentindo que algo estava errado. Ao entrar na casa, percebeu que as decorações fofas e toques pessoais haviam sumido. No vestiário, as roupas caras ainda estavam lá — Sara deixou para trás tudo o que fora presente de Austen, levando apenas o que comprara com o próprio esforço.

Preocupada, governanta ligou para o patrão, que estava na Suíça:

— Senhor, a senhorita Sara saiu hoje e levou muitas coisas com ela.

Austen franziu o cenho ao telefone.

— Para onde ela foi?

— Ela disse que era uma viagem de negócios.

Viagem de negócios? Ele pensou. Sendo ela sua secretária particular, e estando ele fora do país, aquilo não fazia sentido. Antes que pudesse processar, ouviu um grito de Marcely na cozinha.

— O que houve, Marcely? — Ele correu até ela.

Marcely havia cortado o dedo levemente enquanto preparava frutas.

— Austen, eu sou tão desastrada... Só queria fazer algo para você.

Ele imediatamente pegou o kit de primeiros socorros, cuidando do ferimento com uma ternura excessiva.

— Você é tão boba e gentil.

Marcely baixou os olhos, fingindo timidez.

— Austen, voltaremos para Sacramento amanhã. Posso convidar minha irmã para nos ver?

Os olhos de Austen brilharam. Ele sabia que Sara era, nominalmente, a irmã mais velha de Marcely.

— Achei que vocês não se davam bem.

— Justamente por isso! — Marcely piscou os olhos, parecendo inocente. — Quero reparar nossa relação e diminuir a tensão entre ela e nossa mãe.

— Você é bondosa demais, Marcely. Mas vamos focar no seu jantar de boas-vindas primeiro. Não quero decepções.

Marcely sorriu vitoriosa. Ela sempre soube que Sara fora apenas uma substituta conveniente enquanto ela estava fora. Foi Marcely quem orquestrou os encontros e até a postagem recente nas redes sociais para marcar território.

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