Capítulo 2

Mariza, obviamente, não arranjaria um bom pretendente para Sara . Desde que a mãe se casou novamente, ela só tinha olhos para Marcely. Sara já estava acostumada com a parcialidade da mãe.

Ela respirou fundo, abriu a porta da sala reservada e suas pupilas se contraíram levemente.

Aquele era o herdeiro da família Weller?

Um homem estava de pé diante da janela de vidro, falando ao telefone. Ele tinha quase um metro e noventa de altura, ombros largos e cintura estreita. Com uma das mãos no bolso, ele exalava uma aura de elegância despojada e preguiçosa.

Ao ouvir o som da porta abrindo, seus olhos frios e profundos se voltaram para ela. Ele lançou um olhar casual, e um lampejo de surpresa cruzou seu semblante enquanto suas sobrancelhas afiadas se erguiam levemente.

Era inegável: aquele homem da família Weller possuía um rosto absolutamente impecável.

Sara comprimiu os lábios, fechou a porta atrás de si e puxou a cadeira à frente dele, esperando em silêncio que ele terminasse a ligação. O homem desligou o telefone e sentou-se, observando-a por um momento.

"Você é..."

"Meu nome é Sara Miller. Estou aqui hoje para o nosso encontro às cegas. Se eu for do seu agrado, podemos nos casar."

A crueldade de Austen a fez enxergar a verdadeira natureza dos homens. Casar-se... tanto fazia com quem fosse. Seria apenas uma parceria para seguir a vida e cumprir uma obrigação.

O homem curvou levemente os cantos dos lábios, e sua voz rouca e preguiçosa ecoou nos ouvidos dela: "Casar?"

Sara manteve a compostura: "Claro. Já que nossas famílias buscam uma aliança, o objetivo é o casamento. Não me importo se você tiver seus casos lá fora, mas também não me responsabilizarei por filhos ilegítimos; no máximo, serei indiferente."

"Se possível, gostaria que nosso contrato durasse um ano. Durante esse tempo, farei o papel de esposa dedicada. Após um ano, anulamos o compromisso."

"Fique tranquilo, como será um casamento apenas nominal, não pretendo tirar um centavo da família Weller. Se não estiver seguro, podemos fazer um pacto antenupcial."

Sara sentia que sua atitude já era honesta o suficiente. Para um playboy, ter uma esposa virtuosa como escudo seria extremamente vantajoso. No entanto, o olhar do homem era como o mar profundo em uma noite de inverno; o escrutínio em seus olhos fez o coração de Sara apertar.

"Pode ser," respondeu ele com uma voz levemente rouca. Então, mudou o rumo da conversa: "Ainda é cedo. Que tal irmos registrar o casamento agora?"

Às cinco e meia da tarde, Sara saiu do cartório civil ao lado do homem, segurando a certidão de casamento. Ela nem olhou para o documento, guardandoo diretamente na bolsa. Tudo parecia irreal; ela estava mesmo casada?

O homem exibia um sorriso discreto nos lábios: "O que foi? Arrependeu-se?"

Sara balançou a cabeça: "Não há nada do que se arrepender. Ainda tenho coisas para resolver, vou indo primeiro."

"Espere." O homem estendeu a mão para detê-la. "Qual o seu número de telefone?"

Verdade. Sendo agora um casal, seria estranho nem sequer trocarem contatos. Sara ditou seu número e o homem ligou para ela imediatamente.

Ela ainda não tinha visto o nome dele completo no registro... "Weller..."

" Rodrigo Weller."

"Como se escreve?" Sara simplesmente entregou o celular para que ele digitasse. As pontas dos dedos frios do homem roçaram a pele dela, causando-lhe uma leve sensação de desconforto.

Ao ver o nome completo na tela, Sara assentiu: "Certo. Então, cada um para sua casa?"

Ela ainda precisava correr até a casa de Austen para retirar suas coisas.

Rodrigo fez um breve aceno com a cabeça e perguntou com tom indiferente: "Quer que eu te leve?"

"Não precisa. Vou pegar um táxi."

Eles seguiram caminhos opostos. Momentos depois, o celular de Sara vibrou com uma notificação do Chat. Seu "marido de fachada" havia enviado uma solicitação de amizade. A nota de identificação era curta e direta: Seu marido.

O rosto de Sara esquentou levemente. Ela aceitou a solicitação e, ao editar o contato dele, hesitou por um segundo antes de salvar apenas como: Marido. Era apenas um apelido, não significava nada. Enquanto isso, o homem que esteve no topo de suas conversas fixadas por três anos continuava sem dar qualquer resposta.

Sara deu um sorriso autodepreciativo, desfixou o contato de Austen e o bloqueou. "Longe dos olhos, longe do coração."

Sara pegou o celular e ligou para sua mãe, Mariza Dutra.

"Mãe, o encontro terminou. Aceito a aliança conforme sua exigência. Mas, como conversamos, quero o que me prometeu: quero entrar na empresa do meu pai."

O pai de Sara era filho único; após sua morte, o hotel que ele fundou passou a ser administrado pela mãe. Mais tarde, quando Mariza Dutra se casou novamente, entregou a administração à família de seu irmão mais novo, embora a maior parte das ações ainda estivesse em seu nome.

Mariza Dutra franziu a testa ao telefone: "O que você quer exatamente?"

O tom de Sara era carregado de ironia: "Quero todas as ações do hotel que estão no seu nome. E outra coisa: Marcely deve se mudar da Villa do Atlântico imediatamente!"

A Villa do Atlântico era onde seu pai e sua mãe viveram logo que se casaram. Há dois anos, sua mãe permitiu que Marcely transformasse o local em seu estúdio pessoal. Agora, Sara estava determinada a recuperar cada lembrança.

Mariza não parecia se importar muito com a villa. "Sara, eu passo a Villa para o seu nome, mas as ações... você não está sendo ambiciosa demais?"

Sara riu baixo: "Mãe, a herança que meu pai deixou pertence a mim e à minha avó por direito. Como isso pode ser ambição?"

A expressão de Mariza mudou. "Assim que seu casamento com a família Weller estiver oficialmente consolidado, eu farei a transferência para você."

Sara desligou o telefone. Ela não tinha medo de que Mariza voltasse atrás. Se ela tentasse trapacear, Sara não hesitaria em pedir o divórcio ao seu "marido de fachada" no mesmo instante.

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