Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo dia seguinte, Sara foi à empresa para entregar seu pedido de demissão.
Mandy olhou para ela com uma ponta de pena: — Sara , tem certeza de que não quer ficar? Se for uma questão de salário, eu posso falar com a gerência e tentar um aumento para você. Sara deu uma risadinha triste: — Obrigada, Mandy, mas não precisa. São motivos pessoais. Sara era a única mulher na equipe de secretariado direto de Austen . Muitas outras que passaram pelo cargo anteriormente tinham segundas intenções, tentando escalar a hierarquia através de sedução, mas Austen manteve apenas Sara. Ela era meticulosa, perspicaz e resolvia tudo com perfeição, poupando Mandy de inúmeros problemas. Como assistente especial, Mandy admirava a postura de Sara: uma mulher linda que conhecia seu lugar e seguia as regras. — Tudo bem — suspirou Mandy. — Já aprovei sua solicitação de desligamento para seguir com seus estudos. Quanto à assinatura final do Austen, teremos que esperar que ele retorne da viagem de negócios. Sara apertou de leve a mão da colega: — Obrigada. Vou terminar as pendências. Ela foi até a sala de descanso e, sem querer, ouviu o pessoal da administração fofocando. — Você soube? O nosso CEO Austen não está em viagem de negócios... ele foi atrás da namoradinha! — Sério? Achei que ele fosse celibatário. Nunca houve um escândalo. — Ora, as famílias Oslon e Dutra já estão ligadas há muito tempo. Ele só estava esperando que a Marcely terminasse os estudos. Os paparazzi conseguiram fotos, mas ele abafou tudo para protegê-la. Um verdadeiro cavalheiro, não acha? O peito de Sara apertou. Distraída pela conversa, ela não percebeu que o copo de água em sua mão não estava sob o filtro, e a água escaldante escorreu diretamente pelo dorso de sua mão. Ela recuou abruptamente, revelando grandes marcas vermelhas que latejavam de dor.— Sara, como você pôde ser tão descuidada?! Corra para o banheiro e coloque água fria! — alguém exclamou. Enquanto deixava a água fria correr sobre a queimadura no banheiro, o sentimento amargo em seu peito era pior que a dor física. Então, eles já estavam discutindo casamento? E ela? Ela foi apenas a pessoa que esquentava sua cama enquanto a namorada estava no exterior.. Seu celular, sobre a pia, acendeu com uma mensagem de sua melhor amiga, Patrícia: [Sara, meu tio e a namorada dele vão dar uma festa de boas-vindas hoje à noite. Eu não queria ir sozinha, quer me acompanhar?] Sara sentiu o sangue esfriar; ele já havia retornado à Sacramento e ela nem sabia. "Não posso, Patrícia. Tenho que fazer hora extra amanhã." Ao sair com um curativo, recebeu uma ligação de emergência de Mandy. — Sara, desculpe te incomodar, mas minha filha está com febre e preciso enviar um documento urgente para o Presidente Oslon assinar agora. Você poderia levar até ele? Mesmo exausta, Sara não recusou. Ao chegar ao local indicado, ela parou diante da porta entreaberta de uma sala privada. Risos e conversas animadas preenchiam o ar. — Marcely, agora teremos que te chamar de cunhada! O patrão é louco por você! Lá dentro, Austen estava encostado casualmente na cadeira, com o braço repousado de forma possessiva sobre o encosto da cadeira de Marcely. Marcely deu um tapinha de leve no braço dele, escondendo o rosto timidamente: — Vocês são tão irritantes! Austen , olha como eles estão rindo de mim! ele deu uma risadinha discreta: — Eu não estou rindo. Ou você está dizendo que não quer ser a cunhada deles? Do lado de fora, Sara estremeceu. Seu coração, já calejado, foi apunhalado mais uma vez. Ela respirou fundo e bateu na porta. — Quem é? — alguém perguntou. Sara entrou na sala com passos firmes, mantendo o olhar calmo e profissional. — Sr. Austen, este documento é urgente e precisa da sua assinatura. Um dos herdeiros presentes brincou: — Ei, Austen, essa é sua secretária? Tão bonita... é um desperdício ela ser apenas secretária. O olhar descarado do homem fez Sara sentir náuseas. A expressão fria de Austen se contraiu ligeiramente, surpreso ao vê-la ali. Ele recuperou a compostura rápido: — Venha aqui. Dê-me isso. Ele assinou o documento com traços vigorosos, agindo como se ela fosse uma estranha. Quando terminou, disse em voz baixa: — Pode ir. Mas Marcely, notando a presença da "irmã", sorriu e segurou a mão ferida de Sara: — Irmã, faz tanto tempo que não nos vemos! Por que não fica e conversa com a gente? Sara sentiu uma repulsa imediata e afastou a mão bruscamente. — Não me toque! Podem continuar, eu preciso voltar para a empresa. O silêncio caiu sobre a sala. Austen franziu a testa, a voz subindo um tom: — Marcely teve boas intenções. Por que você está agindo assim com ela? Peça desculpas agora mesmo! Sara apertou as palmas das mãos para conter as lágrimas. — Eu não fiz nada de errado e não vou me desculpar. Se o Presidente Austen quiser me demitir por isso, sinta-se à vontade. Ela saiu às pressas, sentindo que enlouqueceria se ficasse mais um segundo. Austen, inexplicavelmente irritado, levantou-se: — Esperem por mim, comam primeiro. — E saiu atrás dela. No corredor, ele a alcançou. — Sara , pare aí mesmo! — Ele a segurou pelo braço. Ela tentou manter a voz firme: — Há mais alguma coisa que precise, Sr. Austen? Melhor voltar, sua namorada pode pensar bobagens. — O que deu em você? — O tom dele suavizou ao notar o curativo. — Eu já disse que não precisa me chamar de Senhor em particular. E sua mão... o que aconteceu? Sara soltou um riso amargo: — Não se preocupe com isso. Afinal, nós terminamos, não é? — Terminar? — Austen deu uma risada desdenhosa, a voz subitamente gélida. — Quem disse que éramos um casal? Aquelas palavras foram como estilhaços de vidro no peito dela. Sara mordeu o lábio com força até sentir o gosto de sangue. — Entendo. Não se preocupe, não temos mais vínculo algum. O rosto de Austen ficou sombrio enquanto ele a via se afastar. Antes que pudesse dar um passo, a voz de Marcely surgiu atrás dele: — Austen , você não vem? Ele respirou fundo, forçou um sorriso e se virou: — Já estou indo, Marcely. Do lado de fora do hotel, Sara desabou. As lágrimas jorraram, e ela se encostou em uma coluna de pedra, com os ombros tremendo. Ela estava tão perdida em sua dor que não percebeu uma sombra se aproximando. De repente, uma mão envolveu sua cintura e uma voz profunda e lânguida sussurrou em seu ouvido: — Parece que minha esposa está com o coração partido? Sara congelou ao reconhecer o perfume familiar. Era Rodrigo.






