Observo em silêncio, apoiado no batente da porta, a madeira fria contra a minha palma, enquanto ela se inclina para pegar algo na mesa e, quase sem perceber, puxa a barra do vestido para baixo, num gesto automático de contenção. Como se estivesse exposta demais — quando, na verdade, está invisível, apagada. É um movimento que me diz que ela está se adaptando, se encolhendo, se tornando a mulher que eu quero que ela seja.
Foi assim que planejei. Quando organizei o guarda-roupa, fiz isso com o me