Madson Granger
Nelson, CA
Entrei em casa no exato momento em que o ronco grave do motor do carro de Wallace se afastava pela rua coberta de neve. Fiquei parada por alguns segundos, apenas ouvindo o som desaparecer, até que o silêncio se instalou por completo. Um silêncio espesso. Quase pesado.
A casa estava escura demais. As cortinas fechadas, nenhuma luz acesa. Aquilo era estranho. Agnes amava a claridade — tanto a do sol quanto a da lua. Dizia que luz era vida, que sombras prolongadas adoeciam a alma. Ver a casa mergulhada naquela penumbra me causou um arrepio involuntário.
Caminhei até a sala e puxei as cortinas, uma por uma. A luz fria do fim de tarde invadiu o ambiente, revelando os móveis, os quadros antigos, o cheiro familiar de ervas e madeira.
— Tia? — chamei, minha voz ecoando baixa demais para uma casa tão silenciosa.
Nenhuma resposta.
Percorri os cômodos lentamente, sentindo a estranha sensação de estar sozinha em um lugar que sempre pulsava vida. Nada. A casa parecia vazi