Wallace Thane
Nelson, CA
Assim que estacionei o carro diante da casa, fui recebido por algo que não ouvia havia tempo demais: gargalhadas. Não eram risadas contidas ou ocasionais, mas gargalhadas soltas, altas, daquelas que ocupam o espaço inteiro e parecem empurrar o silêncio para fora. Franzi o cenho automaticamente, tomado por uma estranheza quase desconfortável. Aquela casa não costumava soar assim. O riso não era um visitante frequente por ali.
Desliguei o motor devagar, ainda tentando identificar as vozes, quando ouvi com clareza:
— Mads, seu desenho está pior que os do papai! — Tyler disse, entre risadas, com aquela crueldade inocente que só crianças possuem.
— Ah, é? — a voz de Madson veio logo em seguida, divertida, sem qualquer sinal de ofensa.
Abri a porta da casa com cuidado, quase como se não quisesse interromper aquela cena. E, por alguns segundos, apenas observei.
Eles estavam sentados no tapete da sala, cercados por lápis de cor, canetinhas espalhadas, folhas amassadas