Madson Granger
Nelson, CA
Subi as escadas devagar, como se cada degrau exigisse cuidado. A casa estava silenciosa demais, daquele silêncio que não traz paz — apenas ecoa sentimentos não ditos. Parei diante da porta do quarto de Tyler e bati duas vezes, de forma suave.
— Pode entrar — ouvi sua voz do outro lado, baixa, quase sem energia.
Abri a porta com cuidado. Tyler estava sentado no chão, as pernas cruzadas, cercado por lápis de cor e folhas espalhadas. O corpo pequeno parecia encolhido, como se tentasse ocupar menos espaço no mundo. Seus ombros estavam caídos, e havia algo em seu semblante que ia além da tristeza comum de uma criança: era ausência. Era falta.
— Tyler, eu fiz algo para comer — falei, tentando soar leve, sem invadir. — Quer descer comigo?
Ele nem levantou o olhar.
— Não tô com fome — respondeu, a voz quase um sussurro.
Fechei a porta atrás de mim e caminhei até ele. Não insisti. Não forcei. Apenas me sentei ao seu lado no chão frio, respeitando o espaço dele. Por al