Madson Granger
Nelson, CA
Quando cheguei em casa na noite anterior, o silêncio me recebeu de um jeito quase acolhedor. Não havia luzes acesas além da lâmpada fraca da cozinha, nem o som habitual da chaleira de Agnes ou do rádio antigo que ela gostava de deixar ligado em volume baixo. Sobre o balcão, um bilhete dobrado ao meio chamou minha atenção. Reconheci a caligrafia imediatamente — firme, elegante, organizada demais para alguém que dizia ser apenas “prática”.
Fui ver uma amiga. Vou chegar tarde. Não se preocupe.
Sorri de leve, mais aliviada do que gostaria de admitir. O dia tinha sido intenso demais, emocionalmente carregado demais, e tudo o que eu queria naquele momento era silêncio. Tomei um banho demorado, deixando a água quente cair sobre meus ombros como se pudesse lavar não só o cansaço do corpo, mas também a confusão da mente. Quando finalmente me joguei na cama, não demorei a adormecer, embora o sono tenha sido povoado por imagens desconexas — a casa de Wallace, o sorriso