Samanta
O silêncio que se instalou na presidência após o clique definitivo da porta parecia ter peso. Um peso sufocante, denso, que esmagava o ar dos meus pulmões. Eu continuava estática perto do sofá, com os olhos cravados no vão milimétrico entre o tapete e o armário de arquivos. O triângulo de renda preta brilhava ali como uma fogueira de evidências. Minhas pernas pareciam feitas de chumbo, incapazes de me sustentar, e o som do meu próprio coração era uma batida descompassada de puro pânico.