Mundo de ficçãoIniciar sessãoSophia
Estou na frente do espelho do quarto há mais de meia hora. O vestido vermelho escuro que escolhi está esticado na cama, esperando. É um modelo que comprei há dois anos, numa viagem a Itália, e nunca usei. Decote discreto na frente, mas as costas são abertas até a base da coluna. A fenda na perna esquerda sobe alto o suficiente para mostrar a coxa quando eu andar. Eu o visto devagar, sentindo o tecido fresco deslizar pela pele. O zíper sobe com um som suave, quase erótico. Olho para mim mesma: os seios parecem mais cheios contra o decote, a cintura marcada, as curvas que eu costumava esconder agora expostas sem pudor. Batom vermelho escuro, máscara de cílios preto, delineador, cabelo solto em ondas que caem nos ombros e salto alto preto. Eu me sinto bonita. E perigosa. Alex entra no quarto vestindo uma camisa social preta. Ele pára na porta, me olha de cima a baixo e solta um assobio baixo. — Caralho, Soph… você está matando! Eu sorrio, nervosa. — Você acha que é demais? — É exatamente o que precisa ser.— Ele se aproxima, me vira de costas e fecha o zíper até o fim com dedos lentos. Depois me abraça por trás, mãos na minha cintura, queixo no meu ombro. — Você está tremendo. — Estou apavorada! — admito. — Estou excitada. As duas coisas ao mesmo tempo. Ele beija meu pescoço lentamente. — A gente pode voltar a qualquer momento, a palavra secreta é “Ameixa”. Só falar e a gente sai. — Ameixa! — repito, testando a palavra na boca. Parece ridícula, uma fruta comum para parar algo que pode mudar tudo. Mas é reconfortante, uma âncora. Ele ri baixinho. — Combinado! “Ameixa” e a gente vai embora. Sem julgamento e sem arrependimento! Eu viro no abraço dele, beijo sua boca devagar. — Obrigada por fazer isso comigo. Por não me julgar. — Eu quero ver você viva de novo. — ele diz, olhos azuis fixos nos meus. — Quero ver você desejada. Quero sentir você desejando. Meu coração acelera. Eu sinto um calor subir entre as pernas só de ouvir isso. Pego a bolsa em cima da penteadeira e coloco no ombro. Alex coloca blazer, simples e preto. Nós nos olhamos no espelho: dois estranhos, mas ainda nós. Ele pega minha mão. — Vamos? Eu respiro fundo. — Vamos! O trajeto de carro até a The Eclipse parece durar uma eternidade e um segundo ao mesmo tempo. Eu fico olhando pela janela, as luzes da cidade passando em borrões. Minha perna balança sem parar. Alex coloca a mão na minha coxa, aperta de leve. — Respira, amor! Eu respiro. Mas o ar parece grosso, carregado. Quando chegamos, o estacionamento já está cheio de carros bons. Um valet pega as chaves para manobrar e nós entramos pela porta preta discreta, sem placa. Só um símbolo dourado discreto: um eclipse parcial. Dentro, o ar é quente, perfumado com incenso e algo mais bruto. Luzes vermelhas e douradas, paredes de veludo preto, música baixa e pulsante. Não é um antro sujo como eu imaginava. É elegante, sofisticado. Como um hotel de luxo que decidiu abandonar as regras. Uma hostess sorridente nos recebe. Máscara dourada, vestido curto de couro. Ela oferece máscaras venezianas em uma bandeja de prata. Eu pego a de renda preta com detalhes dourados. Alex pega uma preta fosca. Colocamos e o mundo muda um pouco. Meu rosto está semi-escondido, mas minha boca fica livre. Eu me sinto mais corajosa, mais exposta e ousada. Nós vamos até o bar. Eu peço um martini seco. Alex pede o mesmo. Tomo um gole grande. O álcool queima na garganta e desce quente até o estômago. Ele ri ao me ver engolir rápido. — Calma. A noite é longa! Eu olho ao redor, o salão principal é amplo, sofás circulares de couro vermelho, alcovas com cortinas de veludo semiabertas. Em uma delas, um casal se esfrega seminus devagar: ela montada nele, movimentos ritmados, gemidos baixos que se misturam à música. Eu paro, meu corpo reage antes da mente. Os mamilos endurecem contra o tecido do vestido. Entre as pernas, um calor úmido se forma. Alex me abraça por trás, queixo no meu ombro. — Gostou do que viu? Eu assinto devagar. — É… bonito. Eles parecem tão à vontade! — Quer ver mais? — Quero! Nós circulamos, passamos por outra alcova: uma mulher de quatro, sendo penetrada por trás enquanto outro homem beija sua boca. Os três suados, sincronizados. Eu sinto o coração martelar no peito. Meu corpo está vivo. Cada célula parece acordada e eu aperto a mão de Alex com força. Ele aperta de volta. — Você está molhada? — ele sussurra no meu ouvido e eu me arrepio inteira, e coro sob a máscara. — Sim… — Isso é bom! — Ele sorri. Nós bebemos mais, pois o álcool ajuda. A ansiedade vira uma energia elétrica que corre pela minha pele. Subimos as escadas para a área VIP. O corrimão é de ferro forjado, frio sob meus dedos. No topo, o espaço é mais íntimo: sofás de veludo em formato de U com uma mesa no meio, poltronas largas, champanhe gelado em baldes de prata. Há muitas pessoas ali, e um palco baixo no centro. Uma mulher seminua está terminando de se apresentar. E então eu o vejo O Stripper A música sensual começa a tocar. Olho para Alex e nem precisei dizer nada, ele sabia de quem se tratava. O stripper parece que dança para nós. De calça de couro preta, corpo brilhando destacando as tatuagens, rebolando e fodendo o ar com prazer. Fiquei vidrada mais uma vez, e não evitei morder os lábios, enquanto ele descia e subia com maestria, mãos no cós da calça, cintura ondulando de uma maneira quente. — Está gostando? — Alex fala no meu ouvido. — Sim! — Respondo ofegante. A apresentação foi rápida, intensa, e quando ele tira a calça consigo ver o volume na sua cueca boxer. Desviei o olhar para Alex e ele me beija até a galera bater palma para o fim da apresentação. Ficamos ali, observando, nos beijando até eu o ver novamente e nossos olhos se encontram. Ele me reconhece na hora. Mesmo com a máscara, mesmo com Alex ao meu lado. O sorriso lento aparece no rosto dele, predador, confiante. Meu estômago dá um looping, as pernas fraquejam um pouco e Alex segue meu olhar, vê para onde estou olhando. Ele não fica tenso, só inclina a cabeça, avalia. — É ele, né? Eu assinto, sentindo o rosto queimar. O stripper desce da grade com uma roupa mais social e vem na nossa direção. Passos lentos, deliberados. Pára a uns dois metros de nós. — Vocês vieram! A voz rouca dele me atinge como um choque elétrico. Eu engulo em seco. — Sim! Alex se levanta e estende a mão. — Sou Alex, e você já conhece minha esposa! Ele aperta a mão dele, firme, sem agressividade. — Rick! Bem-vindos à The Eclipse! Eu não consigo falar. Só olho para ele, ele me encara de cima a baixo, sem disfarçar o desejo nos olhos. — Você está linda de vermelho, Sophia. Combina com o fogo que eu vi nos seus olhos naquela noite! Meu corpo inteiro reage. Calor sobe pelo pescoço, desce pela barriga, concentra entre as pernas. Eu sinto que estou molhada de novo. Mais ainda. Alex ri baixo e me puxa para mais perto. — Ela estava nervosa o caminho todo. Mas acho que agora está começando a gostar! Rick ergue uma sobrancelha. — E você? Alex dá de ombros, mas os olhos brilham. — Estou curioso, e ela merece se sentir desejada. Se isso ajuda… eu fico. Eles trocam um olhar que eu não sei interpretar. Cumprimento? Desafio? Acordo silencioso? Rick assente devagar. — Então sentem querem champanhe?” Nós aceitamos. Ele serve três taças, sentamos no sofá semicircular, eu no meio, Alex de um lado, Rick do outro. Perto demais. O calor dos dois corpos me envolve, e eu sinto o perfume de Rick, algo amadeirado, masculino, misturado com o cheiro sutil de couro e do terno. Meu coração está disparado. Eu tomo um gole grande de champanhe. As bolhas explodem na língua. Eu olho para o salão de baixo. Vejo corpos se movendo nas alcovas. Gemidos, suspiros. E aqui em cima, entre meu marido e o homem que acendeu esse fogo todo em mim, eu sinto que estou exatamente onde deveria estar. Assustada, excitada, viva. Pela primeira vez em anos, eu me sinto realmente viva.






