Mundo de ficçãoIniciar sessãoTomo um banho rápido no camarim e vou para o salão, já com uma roupa mais formal. Recebo cumprimentos de clientes e depois de uns vinte minutos, eles sobem as escadas para a área VIP. Meu coração dá um pulo forte. Eles estão vindo para cá.
Quando chegam ao topo, param na entrada da área reservada. Sophia olha ao redor, sofás de veludo, poltronas largas, uma mesa baixa com garrafas de champanhe geladas. Há umas poucas pessoas: um casal mais velho se beijando devagar, uma mulher sozinha com uma taça na mão observando tudo com um sorriso satisfeito. E eu. Nossos olhos se encontram através das máscaras. Ela congela por um segundo. Mesmo com a máscara, mesmo com a distância, ela me reconhece e sabe, eu estava esperando por eles. Os olhos castanhos dela se arregalam atrás da renda preta. Alex segue o olhar dela, vê para onde ela está olhando. Ele não reage com ciúme imediato, só inclina a cabeça, avalia. Depois sorri de lado para ela, como se dissesse, “quer ir ate ele?”. Ela assente devagar, corando forte mesmo sob a máscara. Eu desço da grade onde estava encostado e caminho devagar até eles. Paro a uns dois metros. Sorriso lento, predador. — Vocês viram! Minha voz sai rouca, baixa o suficiente para que só eles ouçam. Sophia engole em seco. — Sim! Ele estende a mão. — Alex! E você já conhece minha esposa! Eu aperto a mão dele. Firme. Sem jogo de força, mas sem fraqueza. — Rick. Bem-vindos à The Eclipse! Sophia não estende a mão. Fica olhando para mim como se eu fosse uma cobra hipnótica. Eu olho para ela de cima a baixo, sem disfarçar. — Você está linda de vermelho, Sophia. Combina com o fogo que eu vi nos seus olhos naquela noite. Ela cora mais. Alex ri baixo, puxa ela para mais perto. — Ela estava nervosa o caminho todo. Mas acho que agora está começando a gostar. Eu ergo uma sobrancelha. — E você? Alex dá de ombros, mas os olhos brilham. — Estou curioso. E ela merece se sentir desejada. Se isso ajuda… eu fico! Eu assinto — Então sentem. Champanhe? Eles aceitam. Eu sirvo três taças. Sentamos em um sofá semicircular que dá visão para o salão de baixo e para as áreas privadas ao redor. Sophia senta entre nós dois, Alex de um lado, eu do outro. Perto o suficiente para que eu sinta o calor do corpo dela, o perfume floral misturado com o cheiro sutil de excitação. A conversa começa leve. Eu conto como a casa foi montada, falo das regras: consentimento acima de tudo, palavra de segurança obrigatória, nada sem “sim” claro. Sophia ouve atenta, bebendo devagar. Alex faz perguntas práticas, sobre privacidade, sobre câmeras ( que não tem), sobre limites. Mas eu vejo. Vejo o jeito que ela cruza e descruza as pernas. Vejo o jeito que os mamilos endurecem contra o tecido do vestido. Vejo o jeito que ela olha para mim quando acha que eu não estou vendo. E, pela primeira vez em anos, eu sinto algo que não sinto quando estou trabalhando. Vontade. Vontade de verdade de tocar, de provar, de fazer ela gemer meu nome enquanto o marido assiste. Eu não participo das orgias aqui embaixo. Nunca. Eu danço, provoco, guio casais novatos, mas não me envolvo. Sou o anfitrião, o observador, o cara que acende o fogo e sai de cena. Mas hoje… olhando para Sophia mordendo o lábio enquanto vê um trio se formando em uma alcova ao lado, dois homens e uma mulher, corpos suados, movimentos ritmados, eu sinto o pau endurecer dentro da calça. Sinto vontade de puxar ela para o meu colo, de abrir aquela fenda do vestido e descobrir se ela está molhada como eu imagino, de ver se o marido vai permitir, se ela vai dizer a palavra chave ou se vai pedir mais. Eu me inclino para ela, falo baixo no ouvido. — Você está gostando do que vê? Ela vira o rosto devagar. Nossos narizes quase se tocam. — Estou… assustada. E excitada. Muito. Alex ouve. Ele passa a mão pela coxa dela, sobe devagar pela fenda do vestido. Ela arfa. — Quer ver mais de perto? — pergunto. Ela olha para Alex. Ele assente devagar. — Sim! — ela sussurra. Eu me levanto, estendo a mão. — Vem comigo. Tem uma sala privativa ali, com vidro espelhado de um lado só. Vocês veem tudo, mas ninguém vê vocês… a menos que queiram. Sophia hesita só um segundo. Depois coloca a mão na minha. Alex se levanta também. Nós três caminhamos juntos pelo corredor escuro, o som dos gemidos ficando mais alto a cada passo. Eu nunca quis tanto quebrar minhas próprias regras. E hoje, talvez eu quebre.






