Lorena
O tempo continuava passando e, mesmo assim, minha memória não voltava. Às vezes eu tinha a sensação de que minha cabeça era uma casa antiga, cheia de portas trancadas, e os sonhos eram as únicas frestas por onde alguma luz conseguia entrar. Quase todas as noites eu sonhava com alguma coisa: o piano, meus dedos deslizando pelas teclas com uma naturalidade que eu não entendia; festas cheias de gente, risadas, música alta; Henrique me observando de longe, orgulhoso, atento. E havia também a