James
Entrar na casa dos pais da Lilly me dá uma sensação curiosa, como se eu estivesse atravessando uma linha invisível entre o acordo que nos trouxe até aqui e a vida real que insiste em se formar apesar dele. Eles nos recebem animados demais para um domingo de manhã, a mãe dela com aquele sorriso atento de quem observa tudo, o pai com energia renovada demais para alguém que quase morreu há pouco tempo. O senhor Moss me puxa para um abraço firme, daqueles que apertam o ombro e testam caráter.
— James, meu rapaz — ele diz, batendo de leve nas minhas costas. — Que bom vê-lo. Que tal um drinque pra comemorarmos essa visita?
Antes mesmo que eu consiga responder, a senhora Moss aparece como um raio na porta da sala, braços cruzados, olhar afiado.
— Nem pense nisso — ela corta. — Você não pode beber. E você — ela aponta para mim — trate de impedir esse homem se ele inventar moda.
Não consigo evitar o sorriso.
— Prometo que vou ficar de olho nele — digo, num tom quase solene