Lilly
Meu pai finalmente adormece e o quarto do hospital fica com aquele silêncio esquisito, quebrado apenas pelo bip distante de algum monitor e pelo ar-condicionado que nunca parece acertar a temperatura. Fico sentada na poltrona ao lado da cama folheando revistas que eu nunca compraria, daquelas com chamadas gritadas e matérias que prometem mudar sua vida em cinco passos ridículos. Leio sem ler de verdade, só para ocupar a cabeça e não pensar demais.
O rosto do meu pai relaxado me dá um alívio que eu quase consigo tocar, e por alguns minutos finjo que tudo voltou ao normal.
A porta se abre devagar e Jodi coloca só a cabeça para dentro, com o jeito de quem tenta invadir um espaço sagrado.
— Ele dormiu?
Assinto, levantando e indo até ela na ponta dos pés.
— Finalmente.
Saímos do quarto com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse desfazer aquele descanso tão merecido. No corredor, Jodi me abraça com força, daquele jeito que só ela sabe, como se quisesse co