Mundo de ficçãoIniciar sessãoAcordei com a cabeça explodindo, como se estivesse levando marteladas. Abri os olhos com dificuldade, com a vista toda embaçada e a mente uma confusão só. Sentei na cama e apertei as têmporas, tentando lembrar o que tinha acontecido na noite anterior.
A última coisa nítida era a briga feia com o meu avô pelo telefone. O velho continuava com a mesma obsessão de que eu precisava casar de novo e dar um herdeiro para a família. Depois disso... lembro de ir para o bar do hotel. E de começar a sentir um calor infernal nas veias. Olhei para o lado e travei. Tinha uma mancha de sangue bem visível no lençol branco. Franzi o cenho, sem entender. Olhei para o chão e vi um pedaço de pano bem do lado da cama. Peguei o tecido fino com os dedos: era uma calcinha vermelha, minúscula e toda rasgada. Eu não passei a noite sozinho. E o sangue só significava uma coisa: ela era virgem. Aquela queimação bizarra da noite passada, a falta de controle total e o fato de eu não lembrar de quase nada... Juntei as peças na hora. Fui drogado. Alguém colocou alguma coisa na minha bebida lá no bar. E acabei na cama com uma desconhecida e, pelo que tudo indicava, virgem, que sofreu as consequências do meu descontrole. Senti um aperto no peito só de pensar que posso ter sido violento demais com ela. Levantei da cama de um salto, ignorando a tontura. Tomei um banho rápido para despertar e peguei o celular, ligando direto para o meu chefe de segurança. — Quero as gravações das câmeras do corredor da minha suíte de ontem à noite até hoje cedo — ordenei, com a voz firme. — Agora. Não deu dez minutos e o vídeo chegou no meu celular. Dei o play, de olho na tela. As imagens mostravam uma garota de sobretudo bege entrando no meu quarto e, logo depois, eu mesmo prensando a garota contra a parede. Nas gravações de hoje de manhã, ela aparecia saindo do quarto bem cedo, andando rápido e infelizmente nas duas imagens não dava para ver seu rosto. O sangue ferveu. Se aquela fosse mais uma das armações do meu avô e aquela garota fizesse parte do plano, ela não era tão inocente assim. Mesmo sendo virgem, ela com. Certeza , sabia muito bem o que fazer ali. Mas de uma coisa eu tinha certeza: eu precisava descobrir quem era ela. Liguei de novo para a segurança. — Descubram quem é a mulher que aparece saindo da minha suíte. Quero a identidade dela em minhas mãos antes do meu jato pousar em São Paulo. Eu ia encontrar essa mulher. Custasse o que custasse. Mas o tempo passou e, apesar de toda a busca, a garota desapareceu como um fantasma. Nenhuma pista, nenhum nome, nada. Tudo o que eu lembrava dela, a única coisa que ficou marcada em mim, foram as garras cravadas nas minhas costas e aquele perfume doce e sexy impregnado no meu corpo. E, sem que eu me desse conta, encontrar aquela mulher acabou de se tornar a minha maior obsessão.






