Capítulo 5

— Sua sem-vergonha! Você tem coragem de seduzir meu marido, mas não tem coragem de admitir? Vou mostrar a todo mundo a vadia que você é!

Mal terminou de falar, a mulher corpulenta arrastou Emily para o lado e gritou para os presentes:

— Venham todos ver! Esta mulher estava tentando seduzir meu marido aqui dentro! Reconheçam esse tipo de pessoa, para que seus próprios maridos não sejam enganados por ela!

As pessoas ao redor começaram a cochichar imediatamente.

— Dizem que as mulheres bonitas são as mais sem-vergonha, e está acontecendo bem aqui na nossa frente...

— Mulheres assim, que vivem de aparência, nunca são satisfeitas...

Os murmúrios eram baixos, mas Emily ouvia cada palavra.

Estava completamente impotente, sendo arrastada pela mulher sem conseguir reagir. Com o pouco de consciência que lhe restava, reuniu forças e disse:

— Eu não sou quem você pensa. Você está me confundindo com outra pessoa.

Mas a expressão apática de Emily foi interpretada pela mulher como culpa disfarçada de indiferença.

O olhar dela pousou no rosto de Emily — e um lampejo de ciúme faiscou nos olhos. Com a outra mão, agarrou os cabelos de Emily e puxou com força para trás.

— Ainda ousa me responder?

Emily sentiu uma dor tão aguda que viu estrelas. Uma tontura a atingiu em cheio. Seu corpo já enfraquecido pela febre não aguentou — e ela desabou para o lado.

A dor esperada não veio.

Em vez disso, ela caiu em um abraço firme e caloroso, e um leve aroma amadeirado chegou ao seu nariz.

Em cujos braços ela havia caído?

Alexander sentiu o toque leve da mulher nos seus braços e franziu a testa.

Sentiu uma queimação no queixo — e baixou a mão que havia erguido sem perceber.

Olhou para a mulher corpulenta que ainda segurava o pulso de Emily e disse com frieza:

— Solte-a.

A mulher estremeceu ao encarar os olhos sombrios de Alexander e, sem perceber, soltou a mão de Emily.

— Amor, por que você veio aqui? — O homem que estava de pé ao lado percebeu que a situação estava fugindo do controle, se aproximou, agarrou a mão da mulher e tentou puxá-la para ir embora.

Mas ela não cedeu. Apontou para Emily e perguntou com raiva:

— Ela estava tentando te seduzir?

O homem gaguejou e desviou o olhar, visivelmente culpado.

Ao ver aquilo, a mulher ficou ainda mais furiosa — convencida de que Emily era descarada e havia de fato assediado o marido. Ergueu a mão para puxá-la novamente, mas seu braço foi segurado por outro par de mãos.

Alexander a encarou com frieza.

— Quem é você pra se meter? Cuide da sua própria vida!

— Hoje eu vou dar uma lição nessa raposa!

— Seu marido tentou me tocar. Se não acredita em mim, podemos verificar as câmeras de segurança. — Emily reuniu o pouco de consciência que lhe restava e lutou para se sentar ereta nos braços de Alexander, a voz rouca.

— Que absurdo. Como meu marido ia sequer encostar em você? Deve ter sido você que o provocou.

Emily deu uma olhada rápida para o homem atrás da mulher — rosto cheio de manchas, expressão de culpa estampada — e sorriu levemente.

— É mesmo? Mas por que eu iria provocar o seu marido... quando tenho o meu próprio bem aqui do meu lado?

Ela se virou, baixou levemente a cabeça e chamou em voz baixa:

— Amor.

Alexander estreitou os olhos.

Talvez por causa da febre, a voz de Emily estava diferente do habitual — rouca, suave, com uma doçura involuntária que soou estranhamente delicada.

Ele queria ver até onde ela conseguia manter a farsa.

Ao ouvir aquilo, um lampejo de pânico cruzou o rosto da mulher.

Mas ela logo se recompôs:

— Só porque você diz que ele é seu marido, eu tenho que acreditar? Acha que sou idiota?

Emily sentia como se o mundo girasse sem parar, e a garganta doía tanto que cada palavra custava um esforço enorme.

Não tinha mais forças para continuar discutindo.

Olhou para Alexander com um olhar suplicante. Então se inclinou levemente e passou os braços em volta do pescoço dele, sussurrando no ouvido em uma voz que só os dois podiam ouvir:

— Senhor Hayes... você poderia me ajudar desta vez?

Desculpe...

Mal terminou de falar, ela baixou a cabeça e o beijou na bochecha.

Alexander sentiu um toque quente e úmido na pele. Seu corpo enrijeceu por completo, e as pupilas se contraíram.

A discussão ao redor cessou abruptamente.

Emily não conseguiu mais se segurar — e desmaiou suavemente nos seus braços.

Ele a amparou quase por instinto. Mesmo desacordada, o corpo dela ainda tremia levemente.

Alexander ergueu os olhos e encarou a mulher com frieza absoluta:

— Saiam agora.

A mulher sentiu como se tivesse sido atingida por uma rajada de ar gelado. Não ousou ficar. Agarrou o marido pelo braço, virou-se e saiu sem dizer mais nada.

Os curiosos ao redor também, sabiamente, foram se dispersando.

Ala VIP.

O médico terminava de fazer o exame em Emily.

Depois de passar as instruções para a enfermeira ao lado, ele voltou a atenção para Alexander, que enxugava as mãos com um lenço.

— Ouvi dizer que essa é a esposa que sua tia arranjou para você?

Alexander não respondeu.

O médico — Nathan, primo de Alexander — sorriu:

— Não esperava que você se casasse tão cedo. Mas, pela sua expressão, não parece exatamente feliz com isso.

Alexander jogou o lenço fora:

— Você fala demais.

Nathan arqueou uma sobrancelha:

— Ainda está esperando que ela volte?

Alexander não respondeu. Girou a cadeira de rodas e saiu da enfermaria sem olhar para trás.

Nathan ficou observando a figura dele se afastar — depois voltou o olhar para Emily deitada na cama, com uma expressão difícil de decifrar.

....

No caminho de volta, Alexander inconscientemente tocou a bochecha onde Emily o havia beijado.

Os olhos semicerrados.

...

Ao acordar, Emily ficou surpresa ao encontrar Sarah sentada numa cadeira ao lado, os olhos fechados, dormindo.

— Você acordou?

Como se pressentisse algo, Sarah abriu os olhos no segundo seguinte. Esfregou o rosto e bocejou.

— O que você está fazendo aqui? E eu... onde estou?

— Não fale ainda. Olha o estado da sua voz — está parecendo que você engoliu lixa.

A garganta de Emily doía demais. Ela fechou a boca.

Sarah apertou o botão de chamada, serviu um copo de água morna e encostou a mão na testa de Emily.

— Graças a Deus. A febre baixou.

Depois de beber a água, Emily sentiu a garganta um pouco menos em chamas.

— Ontem à noite, por volta das dez, recebi uma ligação do assistente do Alexander. Ele me pediu para vir ficar de olho em você. — Sarah fez uma pausa. — Mas eu não esperava que ele fosse me ligar.

— Você estava doente e não me disse nada. O médico falou que se a febre continuasse subindo, poderia ter dado algo sério.

— Fica doente assim e não pede pra ninguém ficar do seu lado. Se isso acontecer de novo, eu fico com raiva de verdade.

Emily tentou esboçar um sorriso de desculpas.

— Mas como você foi parar no colo do Alexander Hayes?

Os pensamentos de Emily voltaram para a noite anterior. Em meio às memórias caóticas e embaralhadas, uma imagem específica emergiu com clareza — ela mesma beijando Alexander na bochecha — e o rosto corou instantaneamente.

Ela mal havia percebido o corpo dele se mexer antes de desmaiar.

Ele com certeza vai achar que foi de propósito.

Na verdade, ela mesma não sabia bem por quê havia feito aquilo. Foi um impulso — e ela o beijou.

— Emily?

A voz de Sarah a trouxe de volta. Ao notar a expressão fechada e o rosto pálido da amiga, ela perguntou preocupada:

— Você tá bem?

Emily estava prestes a responder quando Sarah lhe enfiou o celular nas mãos:

— Digita aí, poupa a garganta.

Depois de ler tudo que Emily digitou, um lampejo de raiva atravessou o rosto de Sarah.

— É melhor eu não encontrar esse casal horrível do hospital, porque eu amaldiçoo eles na hora.

Emily pegou a mão dela e a apertou suavemente, pedindo calma.

— Você é boa demais, Emily. — Sarah suspirou fundo. — Deixa pra lá. Mas... — ela mudou de tom — você beijou o Alexander Hayes. Ele vai ficar furioso com você?

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