Ruby
Nunca pensei que pisaria numa delegacia para falar de morte. O cheiro do lugar me embrulha o estômago. Café fraco, papel, suor e tensão. Um policial me oferece água, mas minhas mãos tremem demais para segurar o copo.
Penso em Dustyn. Penso em Andrew. Repito mentalmente o que preciso dizer. Apenas a parte que não entrega ninguém.
— Senhora Sinclair, precisamos que conte exatamente como foi sua noite no prédio da empresa. — o investigador diz, sem levantar a voz.
Respiro fundo.
— Eu saí mais cedo. Estava cansada. Passei pelo diretor Harlan no corredor, apenas cumprimentei e fui embora. — digo, firme. — Não vi mais nada. Não ouvi nada. Não sei o que aconteceu depois.
Ele me observa por alguns segundos longos demais.
— Tem certeza?
— Absoluta. — respondo. — Tenho um filho pequeno. Eu não ficaria ali até tarde.
Ele anota algo, fecha a pasta e assente.
— Por enquanto é só isso. Se precisarmos, entraremos em contato.
Quando saio, minhas pernas quase cedem. Não porque menti. Mas porque