Andrew
Acordei com a sensação de que algo estava errado antes mesmo de abrir os olhos. Não foi um pensamento, foi o corpo avisando. Um aperto no peito, profundo, pesado, como se alguém tivesse colocado a mão ali dentro e fechado os dedos devagar. Respirei fundo, mas o ar não veio como deveria. Veio curto. Insuficiente.
Abri os olhos com esforço e encarei o teto do quarto. A luz da manhã começava a entrar pelas frestas da cortina. Olhei para o relógio na mesa de cabeceira.
05:57.
Ruby ainda dormia, abraçada a mim, a cabeça apoiada no meu peito. A mão dela estava sobre o ventre, protegendo nosso filho mesmo dormindo.
Passei os dedos pelo cabelo dela com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse acordá-la… ou quebrar aquele momento.
— Se eu cair, você continua… — sussurrei, tão baixo que talvez nem eu tenha ouvido direito. — Promete?
Ela se mexeu levemente, mas não acordou. O rosto tranquilo, sereno. A imagem de alguém que confia completamente em quem está ao lado. Isso me atin