Ruby
Eu estava no sofá, com o celular na mão, revendo pela quarta vez os vídeos que Andrew gravou. No jardim, dentro da tenda, as lanternas deixavam tudo dourado e eu ria como se o mundo não tivesse maldade. No terraço, o vento batia no meu cabelo e ele dizia que queria guardar “a gente” para sempre.
Eu parava em uma cena específica: a mão dele na minha barriga e o sorriso de quem já ama antes de conhecer o rosto do filho.
Eu devia ficar feliz. Mas aquele excesso de registro me dava a sensação de despedida, e eu odiava sentir isso.
A porta abriu e Andrew entrou com um buquê de rosas vermelhas grande demais para o corpo dele.
— Trouxe pra você.
— Estou virando um jardim. — tentei brincar.
— Ainda bem. — ele respondeu, e me puxou pela cintura com cuidado por causa do ventre. — Quero você cercada de coisas bonitas.
Ele me beijou com calma, mas com um peso por trás, como se estivesse confirmando que eu estava ali.
— Você está diferente hoje. — eu falei quando ele se afastou.
— Diferente c