Andrew
Acordei antes dela de novo. Não sei se é porque meu corpo se acostumou a dormir menos ou porque, sempre que abro os olhos, quero ser o primeiro a ver Ruby respirando tranquila. Ela dorme como se nada pudesse machucá-la, mas eu sei que o mundo tenta, todos os dias, e isso faz meu peito apertar.
Viro devagar, apoiando o cotovelo no colchão. O lençol caiu um pouco durante a noite, revelando a barriga dela. Meu filho. Minha filha. A nossa vida inteira ali, em silêncio, crescendo.
Meu coração bate diferente desde que soube. Às vezes dói, às vezes parece fogo. E, sim… ainda machuca lembrar que ela guardou aquilo de mim por tanto tempo, mas não existe ressentimento que sobreviva quando olho para ela. Não quando lembro do som do coração do bebê que ouvimos antes dela receber alta do hospital. Não quando vejo o corpo dela mudando dia após dia.
Aproximo a mão, deslizo devagar pela curva do ventre.
— Está ainda mais linda, sabia? — sussurro, antes mesmo de ver os olhos dela abrirem.
Ruby