Mundo de ficçãoIniciar sessãoPOV CHARLOTTE
Ele riu. Um riso debochado e me encarou novamente, mas eu mantive o olhar fixo nele.
— Sério?
Acenei com a cabeça, sentindo um calor absurdo subir pelas minhas bochechas e o meu coração disparar contra as costelas, dando batidas tão fortes e aceleradas que pareciam martelar direto na minha garganta.
— Uma pessoa com a aparência igual à sua com certeza não precisa vir aqui caçar um homem.
— O que quer dizer com isso? — perguntei, tentando equilibrar o meu corpo no banco enquanto a minha cabeça dava uma leve volta. — Por um acaso o público da casa não é feminino?
— Não...não é isso... — Ele gargalhou alto, passando as mãos pelos cabelos cacheados. — É que você tem uma aparência... agradável. — Ele respondeu, pegando um pano e esfregando a madeira do balcão que eu tinha certeza de que já estava limpa.
— Por um acaso, você quer dizer que me acha atraente? — Perguntei. A pergunta escapou da minha boca antes que o meu cérebro conseguisse parar a falta de filtro.
O homem travou a mão no pano e me encarou. O silêncio se arrastou por longos segundos, com ele cravando aqueles olhos escuros nos meus, mapeando cada milímetro do meu rosto.
— Acho.
Uma onda de calor queimou a minha nuca e desceu pela minha coluna, fazendo os pelos dos meus braços se arrepiarem de um jeito instantâneo.
— Eu preciso de um homem como você. — Soltei, o álcool queimando o resto do meu juízo.
— Como eu?
— É. Bonito. Mas que seja educado para se casar comigo. E que venha com um manual de instruções, porque eu não entendo nada de nada, na verdade.
O homem gargalhou novamente, uma gargalhada alta e encorpada que fez o peito nu dele vibrar na minha frente. Mas não foi um riso de quem zombava de mim; era o riso de quem me achava uma completa maluca ou um alienígena tentando explicar física quântica.
— Se você quer um marido, vai para o Tinder. Ou para um site de casamentos. Aqui é um bar erótico, garota.
A resposta seca dele caiu como uma ducha de água gelada na minha cara. Me levantei da banqueta em um movimento rápido, meus pés se embananaram no apoio de metal e o banco bambeou com um barulho estridente.
— Você é muito mal-educado! — Gritei, sentindo a raiva esquentar a minha pele enquanto eu dava as costas para o balcão. — Não precisa me tratar assim!
— Vou chamar um táxi para você. Vai para casa, acho que bebeu demais, dorme, se hidrata e seja menos esquisita.
— Esquisita? Eu?
Ergui o queixo, espremendo a minha bolsa de couro contra as costelas com os dois braços e caminhei em direção à saída, sentindo o chão balançar debaixo dos meus saltos. Cheguei perto do portal, mas o meu orgulho não deixou eu ir embora. Dei meia-volta e marchei de volta até o balcão, inclinando o corpo para frente até ficar com o rosto a poucos centímetros do dele.
— E só para você saber! Você e seus amigos putos não sabem o que estão perdendo! Eu tenho muito dinheiro nessa bolsa! Eu sou rica, entendeu? Rica! Eu podia até comprar esse lugar!
— Fala baixo, sua idiota — ele sibilou entre os dentes, os olhos varrendo o salão com um vinco de preocupação na testa. — Quer ser assaltada?
— Cala a boca, seu ignorantezinho.
— Ei... — ele me chamou, estendendo a mão no ar.
Mas ignorei. Girei os calcanhares e rumei para a porta.
— Idiota, ignorante, quem ele pensa que é? Um rei... — resmunguei baixinho, a minha respiração saindo pesada enquanto sentia alguns olhares curiosos grudarem em mim.
No meio do caminho, parei bem na frente de uma mesa onde um sujeito fantasiado de policial dançava para duas mulheres. Enfiei a mão na minha bolsa, puxei um maço grosso de notas de cem reais e joguei o bolo direto na mesa. O homem travou o quadril no meio do movimento, de olhos arregalados.
Sem pensar duas vezes, estiquei os dedos, agarrei a garrafa aberta de destilado que estava ali e joguei o gargalo direto na boca. O líquido desceu rasgando a minha garganta como fogo, fazendo os meus olhos lacrimejarem na hora. Tossi forte, o peito sacudindo enquanto eu tentava recuperar o fôlego.
Segurei o vidro firme e continuei marchando para a saída, dando mais um gole que fez a minha cabeça girar mais rápido. Olhei por cima do ombro com deboche para o barman, pisando com toda a força que me restava.
O ar da rua bateu contra o meu rosto como uma lâmina gelada, congelando o suor da minha pele. Dei dez passos trôpegos pela calçada escura do Quarto Distrito, os meus olhos tentando focar na iluminação fraca para achar o tal táxi.
De repente, um rastro escuro passou correndo pela minha lateral. Antes que a minha mente processasse o movimento, um puxão seco arrancou a alça da minha bolsa dos meus ombros.
— Não! Meu dinheiro! Meu dinheiro! — Berrei, os meus dedos escorregando pelo couro.
O sujeito me empurrou com brutalidade. O meu corpo perdeu o equilíbrio e foi arremessado contra o asfalto. A garrafa de vidro se estraçalhou ao meu lado em dezenas de cacos afiados. A dor física foi imediata e violenta: o impacto do chão rasgou a pele dos meus joelhos e os pedaços de vidro espetaram a minha carne, fazendo o sangue quente escorrer e se misturar com a sujeira da rua.
— Pega meu dinheiro! É a minha alforria! — Esgoelei, o choro rascante subindo pela minha garganta enquanto eu assistia ao vulto sumir na escuridão levando a minha única saída.
Passos pesados e acelerados ecoaram pelo asfalto. O homem da boate surgiu na calçada, a camisa ausente, a gravata preta solta balançando no peito nu e suado. Ele olhou para a esquina por onde o ladrão dobrou, olhou para mim encolhida no chão e ameaçou correr atrás dele.
— Você está bem? Eu te avisei para não andar com esse dinheiro ou gritar por aí que tinha uma fortuna!
— É a minha chance de recuperar meu dinheiro! Eu preciso dele para mudar de vida! Eu preciso contratar um marido de aluguel para me salvar do meu pai! — Tentei me apoiar nas mãos para levantar, mas o salto do meu sapato entortou e o meu joelho ferido fraquejou na hora com a dor aguda do corte.
O chão veio direto contra a minha cara, mas antes do impacto, duas mãos enormes e quentes se cravaram na minha cintura, interrompendo a queda.
— Você é um perigo para si mesma! — O homem rosnou bem perto do meu ouvido, a voz grave fazendo o meu peito tremer enquanto ele me erguia do chão sem esforço. — Que papo é esse? Você precisa de um marido de aluguel?
O calor que emanava do peito nu dele colado nas minhas costas era absurdo, contrastando com o vento frio da rua.
— Minha família quer que eu me case com quem eu não quero e nem conheço! Então eu preciso me casar com outra pessoa!
— Deixa eu ver se entendi. — Ele perguntou, totalmente confuso, soltando a minha cintura e coçando a nuca. — Você não quer casar com quem sua família decidiu, por isso resolveu que quer casar com alguém que não conhece sem estar apaixonada?
— É... por aí...
— Isso não faz sentido nenhum — ele disse, cravando o olhar em mim com a testa franzida.
Juntei o resto da minha força, empurrei o peito dele e tentei me manter de pé sozinha.
Mas a minha cabeça girou de um jeito violento, como se o mundo inteiro tivesse virado de ponta-cabeça. O asfalto sumiu debaixo dos meus pés.
— Mulher??? Você está bem??? — A voz dele soou abafada, como se estivesse no fundo de um poço. — Parece que você vai desmaiar...
— Eu preciso... — Tentei mover os lábios, mas a minha língua parecia um pedaço de chumbo pesado.
A escuridão engoliu a minha visão de uma vez só. As luzes da rua se apagaram, o som do vento sumiu e o meu corpo simplesmente desligou. Desabei para a frente sem qualquer controle, mas não atingi o chão frio. Caí direto contra a superfície quente, rígida e musculosa do peito dele, sentindo os braços fortes me envolverem e segurarem todo o meu peso antes que eu apagasse por completo.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
🚨 NOTA DA AUTORA: E aí, o que vocês acharam deste capítulo caótico? 💖✨
💬 Se você está gostando da trajetória da Charlotte e do Arthur, não esqueça de deixar o seu LIKE, avaliar a obra na plataforma e deixar o seu comentário sobre a cena! 🌟📖
👉 O seu voto, a sua avaliação e a sua interação ajudam muito o livro a crescer e a continuar forte por aqui. Fico muito agradecida pelo apoio e carinho de cada um de vocês! Muito obrigada e até o próximo capítulo! 🎉🔥







