Capítulo 5 - A Ideia

O caminho de volta para casa parecia mais leve do que o de ida. Marina Almeida segurava a pequena pasta com os detalhes do vestido escolhido como se carregasse um tesouro precioso. Seus olhos ainda brilhavam pela emoção daquele momento.

Aquele não era apenas um vestido.Era o símbolo de um sonho que estava cada vez mais próximo.

— Eu ainda não acredito que encontrei. — disse Marina, sorrindo para Gorete.

— Eu acredito. Desde o momento em que você apareceu naquele vestido, eu soube. Foi tipo cena de filme. — respondeu Gorete, animada.

Lúcia, que dirigia com calma, observou as duas pelo retrovisor.

— Algumas coisas na vida a gente simplesmente sente. Não precisa de explicação. — comentou Lúcia, com

um sorriso tranquilo.

Marina ficou em silêncio por alguns segundos.Ela estava feliz.Muito feliz.Mas, no fundo, uma pequena dúvida surgiu.Será que George sentiria a mesma emoção quando a visse usando aquele vestido?Ela afastou o pensamento rapidamente.

Conhecia George.Sabia que ele a amava.

Ao chegarem em casa, Gorete foi a primeira a sair do carro.

— Hoje merecemos uma comemoração! Nem que seja com bolo! — anunciou Gorete.

Marina começou a rir.

— Você só pensa em comida.

— Errado. Eu penso em felicidade. E felicidade sempre combina com comida. — respondeu Gorete, fazendo as duas rirem.

Lúcia balançou a cabeça.

— Vocês duas nunca vão crescer. — disse Lúcia, divertida.

Dentro de casa, Marina caminhou até a sala e colocou a pasta cuidadosamente sobre a mesa.Passou a mão sobre a capa.

Seu vestido.Seu casamento.Sua nova vida.

George tinha sido seu primeiro amor.O homem com quem ela imaginava dividir todos os momentos.Seu olhar caiu sobre o celular.Nenhuma mensagem.

Por um instante sentiu uma pequena vontade de falar com ele, mas logo lembrou que George estava cheio de trabalho. Ele queria deixar tudo organizado antes das férias e da lua de mel.

Ela admirava isso em George, ele nunca quis ser reconhecido apenas por ser filho do CEO. Ele queria conquistar seu próprio espaço.Naquele mesmo instante, uma ideia surgiu.

Simples.Espontânea.

Marina pegou o celular e escreveu:

"Amor, encontrei o vestido perfeito hoje."

Ela ficou olhando a tela esperando a resposta.

Poucos minutos depois, o celular vibrou.

"Tenho certeza que você ficou linda. Mal posso esperar para te ver vestida."

Um sorriso apareceu no rosto dela.Ela apertou o celular contra o peito.

Mesmo através de uma mensagem, sentia o carinho dele.

— Pela sua cara, ele respondeu uma coisa muito boa. Você está até vermelha. — disse Gorete, observando a amiga.

Marina sorriu.

— Ele disse que mal podia esperar para me ver vestida de noiva no altar.

Gorete abriu um sorriso.

— Está vendo? Homem apaixonado é assim mesmo. Vocês dois formam um casal lindo. — disse Gorete.

Marina riu.Mas aquelas palavras fizeram nascer outra ideia.Ela queria compartilhar aquele momento com George.Queria ver a reação dele pessoalmente.Não apenas imaginar.Queria olhar nos olhos dele.

No escritório de George, o ambiente era silencioso.

Mas estava longe de ser tranquilo.Vilma permanecia sentada em sua mesa..Ela analisava cada detalhe.Seu olhar era frio..Como alguém que montava cuidadosamente cada peça de um jogo.

— Ele vai resistir até quando? — murmurou Vilma. — Ninguém resiste para sempre.

Ela fechou o espelho lentamente.George havia deixado claro que era fiel.

Mas, para Vilma, aquilo não significava que era impossível.Significava apenas que ela precisaria encontrar outra maneira.Nesse momento, a secretária de Maurício trouxe alguns documentos importantes que precisavam ser analisados e assinados.

Vilma observou os papéis.E então uma ideia surgiu.Uma oportunidade.Ela pegou os documentos e caminhou até a sala de George.

Bateu na porta.

— Entre. — respondeu George.

Ela entrou segurando a pasta.

— Senhor George, chegou um contrato importante que precisa da sua assinatura com urgência. — disse Vilma.

George levantou os olhos.

— Deixe aqui.

Ela colocou os documentos sobre a mesa.

— São documentos referentes a uma viagem. Foram confirmados hoje pela manhã e exigem a sua presença. — explicou Vilma.

George franziu a testa.

Ele havia deixado claro que não pretendia viajar.Pelo menos não antes do casamento.

— Quem autorizou isso? — perguntou George.

— São ordens do senhor Castro. — respondeu Vilma.

George ficou em silêncio.Seu pai não gostava de ser contrariado, principalmente quando envolvia grandes contratos.

Ele levantou-se.

— Avise meu pai que em quinze minutos estarei no escritório dele. — disse George.

Vilma segurou a pasta.

— Desculpe, senhor George, mas a secretária dele informou que ele entrou em uma reunião importante.

George respirou fundo.

— Entendo.

Ele voltou a olhar para os documentos.

— Então pode ir. Hoje você está dispensada. — disse George.

Vilma assentiu.Mas antes de sair, observou-o em silêncio.Uma ideia começou a tomar forma.Seu estágio estava chegando ao fim.Ela não tinha nada a perder.E estava acostumada a jogar.

Na casa de Marina, a ideia crescia cada vez mais.Ela olhou para o celular.Depois para Gorete.Depois para a mãe.E sorriu.

— Acho que vou fazer uma surpresa para o George. — disse Marina.

Gorete arregalou os olhos.

— Surpresa? E o nosso dia juntas?

— Nós ainda vamos ao shopping depois. Só quero passar no escritório dele primeiro. — respondeu Marina. — Quero ver a reação dele quando contar do vestido pessoalmente.

Ela colocou a mão sobre o peito.

— Eu sinto que vou explodir de tanta felicidade. Preciso dividir isso com ele.

Gorete sorriu.

— Amiga, só espero que essa surpresa não vire uma cena de novela. — brincou Gorete.

Marina riu.

Mas Lúcia permaneceu em silêncio.Havia algo no coração dela.Uma sensação difícil de explicar.Talvez fosse apenas preocupação de mãe.Talvez fosse aquele instinto que aparece quando algo parece fora do lugar.

— Tome cuidado. — disse Lúcia, por fim.

Marina franziu a testa.

— Cuidado com o quê?

Lúcia demorou alguns segundos para responder.

— Às vezes, algumas surpresas mostram coisas que a gente não estava preparado para ver. — disse Lúcia.

O silêncio ficou pesado por um instante.Marina tentou sorrir.

— Vai ser apenas uma visita rápida.

Pegou a bolsa.As chaves.O celular.Despediu-se das duas e saiu.

Sem imaginar que, naquele mesmo momento, outra pessoa também estava tomando uma decisão.

Vilma estava arrumando as coisas antes de ir embora.Um sorriso discreto apareceu em seus lábios.Porque, pela primeira vez, ela tinha encontrado uma oportunidade.

E Marina estava caminhando exatamente para o lugar onde Vilma queria que ela estivesse.

O destino acabava de colocar as duas mulheres no mesmo caminho. 

Antes de ir embora George á chamou para uma última verificação de um documento, que não estava clara como ele exigia. Era a oportunidade perfeita,agora ou mais nunca.

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