Capítulo 7 - Confie em mim

O silêncio dentro da sala parecia pesado demais para ser ignorado.

Marina permaneceu alguns segundos nos braços de George, mas, pela primeira vez, aquele abraço que sempre significou segurança parecia não conseguir afastar a sensação estranha que havia tomado conta dela.

Seu coração ainda estava acelerado.Não pela presença dele.Mas pela imagem que seus olhos tinham visto.A mulher que ela mal conhecia estava próxima demais do homem que amava.E aquela cena insistia em voltar à sua mente.

George percebeu que havia algo diferente.Ele a soltou lentamente, segurando seus braços e procurando seus olhos.

— Marina, por favor, me escute. Eu posso explicar. — disse George, preocupado.

Ela respirou fundo e cruzou os braços.

Tentava parecer forte.Mas por dentro estava tentando juntar os pedaços daquela surpresa que deveria ter sido perfeita.

— Então explica. E rápido, porque eu preciso ir. — respondeu Marina.

A resposta fria fez George sentir um aperto no peito.Ele nunca tinha ouvido aquele tom vindo dela.

— Ela tropeçou, Marina. Foi apenas isso. — explicou George.

Marina soltou uma risada curta, sem alegria.

— Ela tropeçou do outro lado da mesa e caiu exatamente nos seus braços? — perguntou Marina.

George passou a mão pelos cabelos.

— Ela veio me ver alguns documentos. Eu já estava incomodado com a aproximação dela, mas achei que estava deixando claro o limite. Quando ela colocou os papéis sobre a mesa, a caneta caiu, ela se abaixou e quando levantou acabou perdendo o equilíbrio. — explicou George.

Marina desviou o olhar.

Mas a explicação não apagava a cena.As mãos de Vilma.A proximidade.A expressão no rosto dela.

O jeito como parecia não estar surpresa por ter sido descoberta.

— George... aquilo não parecia um acidente. Você viu o rosto dela quando eu entrei? — perguntou Marina.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.Porque tinha visto.E essa era a parte que mais o incomodava.

— Marina, eu já tinha te falado que ela está ultrapassando limites. — respondeu George.

Ela voltou a olhar para ele.

— Então por que ela ainda está aqui?

A pergunta ficou entre os dois.Uma pergunta simples.Mas difícil de responder.

George respirou fundo.

— Porque ela é competente. O estágio dela ainda não acabou e eu não posso tomar uma decisão apenas por causa de uma impressão. — explicou George.

Marina balançou a cabeça lentamente.

— Competência não dá direito de desrespeitar limites. — respondeu Marina.

A firmeza na voz dela surpreendeu George.Ele conhecia Marina doce.Carinhosa.Compreensiva.

Mas naquele momento viu uma mulher ferida tentando proteger aquilo que amava.

Ele aproximou-se.

— Eu nunca dei liberdade para ela. Nunca. Você sabe quem eu sou. — disse George.

As palavras atingiram Marina.Porque ela sabia.George sempre foi diferente.Nunca havia dado motivos para desconfiança.

Ele era um homem que respeitava a família, os valores e principalmente o relacionamento deles.

Mas havia algo que a incomodava.Não era apenas Vilma.

Era a sensação de que aquela mulher sabia exatamente o que estava fazendo.

— Eu confio em você, George. — disse Marina, depois de alguns segundos.

Ele respirou aliviado.

Mas a próxima frase mudou tudo.

— Mas eu não quero mais essa mulher perto de você. Se não pode mandar embora, coloque em outro setor. — pediu Marina.

George ficou em silêncio.Não porque discordava dela.

Mas porque sabia que aquela decisão não era tão simples.

— Marina...

Ela levantou a mão, interrompendo.

— Eu não estou pedindo porque tenho ciúmes. Estou pedindo porque alguma coisa nela me incomoda. E raramente meu coração me engana. — disse Marina.

George segurou as mãos dela.

— Eu amo você. E não existe ninguém nesse mundo que possa mudar isso. — afirmou George.

Por um instante, Marina quis acreditar apenas naquelas palavras.

Quis esquecer a cena.Quis voltar alguns minutos no tempo.

Quis entrar naquela sala sorrindo e falar do vestido.

Mas algo havia mudado.

Pequeno.Quase invisível.Mas havia mudado.

Pela primeira vez, sentiu medo.

Não de perder o amor dela.

Mas de perceber que alguém estava tentando destruir algo que ele levou anos para construir.

Alguns minutos depois, Marina pegou sua bolsa.

— Eu preciso ir. Minha mãe e Gorete estão me esperando. Vamos ao cinema e jantar fora. E hoje vou dormir na casa da minha mãe. — disse Marina.

George ficou surpreso.

— Você vai dormir lá?

— Sim.Ela assentiu.

— Marina…-disse George

Ela parou antes de abrir a porta.

Virou-se lentamente.

— O que foi?

George aproximou-se.

— Não deixe ninguém estragar o que temos. Eu amo você. Não quero perder a mulher da minha vida por causa de uma situação criada por outra pessoa. — disse George.

Marina segurou o olhar dele.

Seus olhos estavam emocionados.

— Então não dê motivos para que alguém tente. — respondeu Marina.

A frase atingiu George mais forte do que ela imaginava.

Ela abriu a porta.E antes de sair disse: Todavia vestido é lindo

—Não vejo a hora de ter ver no altar._ disse George

Marina nem respondeu,simplesmente saiu.

Do lado de fora da sala, Vilma permanecia próxima ao corredor.

Ela fingia organizar alguns documentos.

Mas não estava preocupada com papéis.

Estava esperando.

Ela não precisava ouvir toda a conversa.

Bastava olhar para o rosto de Marina quando saísse.

E ela saberia.

Algumas batalhas não eram vencidas com ataques diretos.

Às vezes, bastava plantar uma dúvida.

E esperar.

Quando a porta finalmente se abriu, Vilma se afastou rapidamente e se escondeu atrás de uma parede.

Marina saiu.

Seu rosto estava diferente.

Não era tristeza.Ainda não.Era confusão.

Era uma mulher tentando convencer o próprio coração de que tudo estava bem.

Vilma a observou em silêncio.E sorriu.Ela tinha conseguido.O primeiro passo.

Dentro da sala, George permaneceu parado.

Ele olhava para a porta por onde Marina havia saído.

Ele tentou esconder a preocupação.

Mas não conseguiu.

E deixou para trás um homem que pela primeira vez sentia que seu relacionamento estava ameaçado por algo que ele não conseguia controlar.

O corredor parecia mais frio.

Marina caminhou até o elevador sem olhar para trás.Ela agradeceu em silêncio por não encontrar Vilma.Não sabia se conseguiria manter a calma.Quando entrou no carro, segurou o volante.Mas a sensação continuava.Algo estava errado.Ela ligou o carro.Sem perceber que, dentro daquele prédio, alguém comemorava a primeira vitória.Vilma só saiu do esconderijo quando viu Marina entrar no elevador.

Então caminhou lentamente até a janela.Observou o carro dela deixar a empresa.Pegou o celular.Na tela havia uma foto tirada minutos antes.A imagem de Marina entrando naquela sala.

E outra imagem capturada pelo sistema interno da empresa, Vilma sorriu.

Porque agora ela não tinha apenas uma ideia.Ela tinha uma arma que poderia ser usada no momento certo.

— Agora começa de verdade. — murmurou Vilma.

Mas, antes que guardasse o celular, digitou uma mensagem.

“Precisamos nos ver no mesmo lugar de sempre ainda nesta semana te direi quando”

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