Isadora Alencar
A água da torneira caía nas minhas mãos, mas era como se não me tocasse de verdade. Eu as esfregava com força — dedos, pulsos, braços — tentando apagar algo que não saía com sabão. Algo que não estava na pele, mas entranhado na carne.
Ainda sentia as pernas trêmulas.
As marcas dos dedos dele, quentes, firmes, estavam na minha cintura como ferro em brasa. E o gosto... Meu Deus, o gosto ainda estava na minha boca. E o pior era saber que eu jamais o beijei. Ele nunca me beijou. Dan