Mundo ficciónIniciar sesiónQuando o avião aterrissou no aeroporto internacional do Recife era noite e eu não consegui ver muito do alto além de muita água e pequenas luzes. O senhor e a senhora Santos estavam me esperando com um sorriso imenso no rosto. Eu os vi algumas vezes nos jogos mais importantes de Arthur e em algumas fotos nas redes sociais. Mas foi o pequeno cartaz com meu nome que os denunciou.
- Seja bem-vindo, filho. Você vai amar esse lugar. – A senhora Santos me disse e logo não era Senhor ou Senhora Santos, mas Beatriz e Carlos. Eu estava mesmo muito cansado e acabei cochilando um pouco até chegar no nosso destino. O barulho de uma porta de carro batendo foi o que me despertou.
Carlos havia deixado o veículo e estava dando a volta para abrir a porta para mim. – Sinto muito. Acabei dormindo.
- Você veio de muito longe, filho. Tem um quarto pronto para você e se quiser eu mando o jantar para o seu quarto. Depois de uma boa noite de sono, você vai estar como novo.
- Eu adoraria.
Saindo do carro eu me permiti olhar em volta e fiquei impressionado. O resort era realmente grande. Seis grandes construções com quatro andares cada uma e uma infinidade de varandas. Na frente do resort, um conjunto de piscinas azuis com pontes atravessando-as e fontes de água artificial. Em uma delas um bar funcionava, mesmo de noite, com uma música que parecia um reggae.
- Uau! Hum... Pensando bem, eu vou tomar um banho e comer aqui em baixo. Tudo bem?
Eles sorriram, como se soubessem que era exatamente isso que eu iria escolher. – Claro. Mateus irá te acompanhar até o seu quarto. Não se preocupe por que todos os nossos funcionários falam inglês e vão poder atendê-lo sempre que precisar.
Depois de um banho e de colocar apenas um calção e uma camiseta sem mangas, eu desci para usufruir um pouco do conforto do resort. Mas a praia era uma coisa incrível, Um mundo de águas tranquilas, cercadas por um muro de pedras naturais. Era um convite para um mergulho e foi o que eu fiz. Era noite, mas algumas pessoas estavam mergulhando também. Então eu supus que seria seguro. Além disso era raso. Eu não me afogaria ainda que eu quisesse. Nenhuma correnteza, só paz. O céu era um espetáculo, sem nuvens, as estrelas todas visíveis e uma lua crescente de tirar o fôlego. Eu me deixei ficar ali pensando na vida por um bem tempo, usufruindo da paz que aquele lugar tinha para me oferecer. Arthur tinha razão. Era disso que eu precisava.
Uma algazarra de um grupo de jovens chamou minha atenção. Eram cinco rapazes que não deviam ter entre quinze e dezessete anos. Eles falavam o idioma local e eu não conseguia entender nada do que eles diziam. Era uma língua alegre, bonita de se ouvir, mas eu não entendia uma palavra. Mesmo assim, vi-me sorrindo das brincadeiras do grupo. Um deles, um jovem de pele morena e cabelos um pouco compridos sorriu de volta e acenou.
- Hey – eu disse. Não sabia dizer mais nada. Mas ele me surpreendeu falando em um inglês fluente. Fiquei feliz em poder fazer contato com alguém nativo.
- Olá, eu sou Toninho.
- Toninho – tentei repetir seu nome. Saiu algo engraçado, mas saiu – Eu sou Drew.
- Sei quem você é.
Como assim? Aquilo era novidade em um lugar como o Brasil, onde o futebol americano não era uma paixão como o outro futebol – Sim?
- Sim. Você é o novo quarterback do Patriots.
- Uau! Como você sabe disso? Achei que vocês só entendiam do outro futebol.
- Ninguém aqui sabe nada sobre futebol americano. Mas eu sou meio fissurado em tudo que diz respeito aos Estados Unidos. Ainda vou morar lá.
- Oh! Que legal.
- Eu me inscrevi para fazer o ensino médio lá. Mas até agora não consegui uma bolsa. – Eu não sabia muito o que dizer sobre isso. Mas ele me salvou de ter que dizer alguma coisa. – Mas eu não torço para os Pats, não.
- Não?
- Não. Eu quero jogar pelos Giants de Nova York.
Eu fiquei impressionado com a determinação do moleque. Tantos jovens americanos tinham o sonho de jogar futebol profissionalmente e esse rapaz, de um país que não tinha o futebol americano como um esporte comum, tinha o mesmo sonho. Eu pensei que era algo muito difícil de se conseguir, quase impossível, eu diria. Mas não tiraria esse sonho dele. Sonhar era bom. Era o que nos movia. Foi o que me moveu até onde eu estava.
- Talvez eu possa te dar umas dicas. Poderíamos treinar um pouco. O que me diz?
Os olhos dele se iluminaram. – está falando sério?
- Sim. Claro.
Ele parecia não acreditar no que estava acontecendo. Eu estava acostumado com essa empolgação de alguns jovens americanos. Pedido de autógrafos, tirar fotos, um oi, mas isso tudo em um país distante do nosso era um pouco surreal e eu estava tão empolgado quanto ele. Além disso, seria uma maneira de passar o meu tempo de qualidade sem ter que ficar me embebedando e me lamentando na beira da piscina – Eu adoraria. Uau! Helena não vai acreditar quando eu contar pra ela.
- Helena?
- Sim, a minha irmã. Nós dois falamos inglês. Na verdade, falamos três idiomas e eu estou indo bem no alemão também agora. Nós aprendemos com os turistas.
- Isso é incrível. Sem curso, sem nada?
Ele assentiu – Todo mundo acha isso meio legal. – disse orgulhoso.
Um dos rapazes chamou por ele e disse algo em sua língua. – Sinto muito, mas preciso ir. Nós temos que devolver a lancha da pousada. Também tenho que buscar minha irmã no bar hoje à noite. Ela trabalha até tarde. Como eu faço para te encontrar de novo. Para o nosso treino...
- Oh! Eu estou hospedado nesse resort. É dos pais de um amigo.
- Eu sei. É de Dona Beatriz e Seu Carlos, pais de Arthur, seu companheiro de equipe. Eles são bem legais com os moradores locais. Esse resort trouxe muitos empregos para a região. Além disso, eles cuidam da praia.
- Você sabe muito sobre futebol, não é? – ele acenou orgulhoso – Bem, estou hospedado lá. Você pode me procurar. Vou deixar autorização na recepção para que você possa me encontrar. Eu trouxe uma bola comigo, podemos praticar alguns lançamentos.
- Combinado. Vou trabalhar de manhã cedo. Mas à tarde eu apareço por aqui.







