CAPÍTULO 5: Você de novo?

No domingo, eu simplesmente não conseguia parar de pensar no que tinha acontecido.

Quase não dormi durante a madrugada, relembrando as mãos de Marcus no meu corpo, os beijos e a maneira intensa como ele me olhava.

Aquilo parecia grudado na minha cabeça.

Tentei cozinhar para me distrair — e eu realmente era boa nisso —, mas consegui queimar completamente o almoço porque minha atenção desaparecia a cada cinco minutos.

Era como se meu próprio corpo tivesse me traído naquela noite.

Do outro lado da rua, eu escutava o som alto de uma guitarra vindo da casa da vizinha irritante. Provavelmente o filho dela.

Mas, sinceramente, aquele barulho era o menor dos meus problemas naquele momento.

Aquela noite parecia meu segredo mais vergonhoso.

Meu pecado escondido em Londres.

Eu mal conseguia olhar para a foto da Jess na tela do celular sem sentir culpa.

Parte de mim conseguia imaginá-la rindo e dizendo:

“Poxa, mãe… um novinho?”

Acabei soltando uma risada sozinha enquanto tentava dobrar as roupas que haviam sido espalhadas pelo quarto no dia anterior graças à invasão de Ariana e Mary.

Depois disso, tentei ocupar minha mente lendo algumas informações sobre a universidade onde começaria a trabalhar.

Mas minha concentração continuava péssima.

E falando nas duas…

Ariana mandou mensagem contando que tinha passado parte da madrugada na delegacia depois de agredir um homem que tentou tirar fotos dela sem permissão.

Já Mary tentou ficar com um cara comprometido na festa e acabou levando um tapa da namorada dele no meio da pista de dança.

As duas contaram tudo como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Acabei rindo tanto da situação que minha barriga chegou a doer.

Mas, claro, elas também tocaram no assunto que eu estava tentando evitar desde que acordei.

Marcus.

Tentei desconversar imediatamente.

Só que Ariana começou a rir dizendo que estava bêbada demais para sequer lembrar do rosto dele direito.

E Mary completou dizendo que tudo o que lembrava era que ele parecia “perigosamente gostoso”.

Nós três acabamos rindo juntas depois disso.

Mesmo que, no fundo…

Eu lembrasse perfeitamente de cada detalhe dele.

Fui ao mercado naquela tarde tentando agir normalmente, mas parecia impossível.

Toda vez que via algum garoto alto de costas, meu coração disparava por um segundo achando que era Marcus.

E, por puro reflexo, eu imediatamente tentava esconder o rosto.

Ridículo.

Eu era uma mulher divorciada de quarenta anos, não uma adolescente fugindo depois de beijar o garoto popular da escola.

Mas meu corpo claramente ainda não tinha entendido isso.

A situação ficou ainda pior quando vi uma mulher da minha idade passando pelos corredores do mercado.

Ela tinha um corpo extremamente chamativo, cheio de curvas perfeitamente desenhadas por silicone.

E, honestamente? Ela era linda. Sexy até demais.

Mas aquilo também me fez pensar em mim mesma.

Nos meus seios que já não eram tão firmes quanto antes.

Nas marcas discretas da idade.

No meu corpo real.

Ainda assim, eu gostava dele.

Talvez não fosse perfeito, mas era meu.

E, pela maneira como Marcus me tocou naquela noite… talvez eu não estivesse tão acabada quanto imaginei nos últimos anos.

À noite, preparei um jantar para mim, Ariana e Mary.

As duas apareceram falando alto como sempre e praticamente transformaram minha casa em um programa de fofocas caótico.

Depois do jantar, elas insistiram em me mostrar a cafeteria delas, mesmo estando fechada naquele horário.

O lugar era incrivelmente aconchegante.

Luzes quentes, sofás confortáveis, cheiro de café espalhado pelo ambiente e um estilo meio vintage que combinava perfeitamente com o bairro londrino.

Entendi imediatamente por que elas viviam gastando dinheiro naquele lugar.

Com certeza a cafeteria fazia sucesso.

Mais tarde, tentei dormir cedo.

Mas acordei na segunda-feira com olheiras horríveis depois de sonhar novamente com Marcus e aquela noite intensa.

O café acabou sendo a única coisa capaz de me manter acordada naquela manhã.

Depois de me arrumar, organizei minhas coisas e caminhei até o ponto para pegar ônibus e metrô.

Eu ainda não tinha comprado um carro em Londres, embora já estivesse pensando nisso.

Quando finalmente cheguei à universidade, diminui o passo automaticamente.

O campus era enorme.

Os prédios antigos, a arquitetura histórica e o clima elegante faziam tudo parecer saído de um filme britânico.

Afinal…

Eu estava em Londres.

Entrei na universidade tentando parecer confiante, mas imediatamente senti vários olhares se voltarem para mim.

Alguns alunos me observavam como se eu fosse uma atração nova no campus.

Franzi levemente a testa enquanto continuava caminhando pelos corredores.

Eu estava usando uma roupa completamente normal para uma professora universitária. Nada chamativo.

Um blazer elegante, salto discreto e uma saia social que ia até os joelhos.

Afinal, eu era uma mulher de quarenta anos e professora de Literatura Inglesa e Jornalismo.

Mas, ainda assim, percebi alguns olhares masculinos descendo descaradamente pelo meu corpo.

E eu jurava que alguns deles estavam encarando minha bunda sem o menor pudor.

Homens realmente não amadurecem nunca.

Continuei caminhando em direção à sala onde daria minha primeira aula quando uma secretária me chamou avisando que a diretora queria falar comigo antes.

Respirei fundo e fui até a sala dela.

A mulher conseguiu me irritar em menos de cinco minutos de conversa.

Fria, arrogante e claramente acostumada a tratar todos ao redor como inferiores.

Ela praticamente riu enquanto dizia que mal podia esperar pelo momento em que eu sairia chorando daquela universidade por culpa dos alunos “insuportáveis”.

Como se aquilo fosse algum tipo de tradição divertida do campus.

Depois, comentou casualmente que tinha um filho estudando ali e reforçou que ele “merecia atenção especial”.

Quase revirei os olhos na frente dela.

Como se eu fosse o tipo de professora que favorece aluno rico só porque a mãe ocupa um cargo importante.

Claro. Vai sonhando. SUA VACA!!!

Saí da sala da diretora me segurando seriamente para não dizer tudo o que pensava sobre aquela mulher arrogante.

Respirei fundo no corredor tentando recuperar a paciência.

Foi quando percebi um homem me encarando do outro lado.

Um professor, aparentemente.

Alto, elegante e com olhos azuis absurdamente claros.

Merda.

Desviei o olhar imediatamente, sem graça por ele claramente ter percebido minha irritação ao sair da sala da diretora.

Mas o sorriso divertido nos lábios dele deixava evidente que tinha achado a cena engraçada.

Ignorei aquilo e continuei andando.

Depois de Marcus, a última coisa que eu precisava era me envolver com algum colega de trabalho atraente.

Quando finalmente cheguei à sala da minha primeira aula, percebi que ela ainda estava praticamente vazia.

Exceto por um rapaz sentado no fundo.

Ele estava com uma revista masculina cobrindo o rosto. Pela capa, dava para ver modelos usando lingeries extravagantes e poses provocantes.

Franzi a testa imediatamente.

Ótimo.

Meu primeiro aluno aparentemente era um idiota.

Limpei a garganta para chamar sua atenção.

— Com licença. Eu sou a…

Mas no instante em que ele abaixou a revista, minhas palavras morreram.

Meu corpo inteiro travou.

Marcus estava sentado bem na minha frente.

Pela expressão dele, era óbvio que também não esperava me reencontrar ali.

Meu coração acelerou tão rápido que tive certeza de que ele conseguiria ouvir.

Tudo o que consegui pensar foi:

Você de novo?

— O que você faz aqui? — perguntei quase sem ar.

Marcus abriu a boca para responder, mas foi interrompido pela entrada repentina da diretora na sala.

— Eu estava procurando você — ela disse entrando apressada.

Tentei me recompor imediatamente, mesmo ainda completamente desnorteada pela presença dele ali.

Então a diretora olhou para Marcus e sorriu orgulhosa.

Naquele instante, senti um péssimo pressentimento.

— Vejo que já conheceu Marcus.

Meu estômago afundou.

— Senhora Mathers… este é Marcus Stone. Meu maravilhoso filho.

Automaticamente olhei para Marcus em choque absoluto.

Minha boca literalmente se abriu sem que eu percebesse.

E o pior de tudo?

Marcus apenas abriu um sorriso discreto.

Completamente sem vergonha.

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