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CAPÍTULO 2: Bem-vinda a Londres

Cheguei em Londres algumas horas depois, já no sábado à tarde.

Meu voo saiu de Chicago às nove da noite e aterrissou em Londres pouco depois da uma da tarde do dia seguinte.

Sete horas foram suficientes para que minha antiga vida parecesse distante demais para ser alcançada novamente.

Mal consegui comer durante a viagem, mas pelo menos consegui dormir bastante.

A primeira coisa que fiz ao entrar na casa foi organizar minhas malas. O imóvel já era mobiliado, então tudo parecia mais fácil do que eu imaginava.

Mesmo sendo dia e eu ainda estando cheia de disposição, fui interrompida pelo som da campainha.

Franzi a testa.

Eu tinha acabado de chegar e não conhecia absolutamente ninguém.

Parei o que estava fazendo e fui abrir a porta.

Duas mulheres estavam paradas do lado de fora segurando uma tigela cheia de doces.

— Olá…? — falei, confusa.

Uma delas sorriu imediatamente.

— Você deve ser a nova vizinha que a Elizabeth comentou, né?

Demorei alguns segundos para lembrar que Elizabeth era a corretora que alugou a casa para mim.

— Ah… sim. Acho que sou eu mesma.

— Viemos dar boas-vindas a Londres — a outra respondeu animada. — E também avisar que essa vizinhança consegue ser um inferno às vezes.

As duas começaram a rir como se já me conhecessem há anos.

E, sinceramente, depois de tudo o que vivi nos últimos meses, aquele tipo de energia leve parecia quase reconfortante.

Então convidei as duas para entrar.

Também servi café — que eu havia acabado de preparar para mim mesma. Afinal, eu era americana. E americanos praticamente sobrevivem à base de cafeína.

Enquanto tomávamos café, elas começaram a falar sem parar.

Descobri rapidamente que a vizinha da frente aparentemente era uma mulher extremamente irritante na opinião delas.

— Aquela mulher parece uma militante pronta para começar uma guerra às seis da manhã — uma delas comentou, arrancando gargalhadas da outra.

Então o assunto mudou completamente.

— Mas o verdadeiro problema é o filho dela — disse a morena, apoiando o rosto na mão. — Acredita em mim: ele é bonito o suficiente para destruir a vida de qualquer mulher desse bairro.

Revirei os olhos imediatamente.

— Não, obrigada. Eu realmente não quero ninguém agora.

E era verdade.

Depois do meu casamento, da morte da Jess e de toda a destruição emocional que vivi… sexo era a última coisa na qual eu conseguia pensar.

Tudo o que eu queria era focar no meu trabalho e na minha nova vida.

As duas trocaram um olhar divertido, claramente sem acreditar muito em mim.

Descobri que eram amigas desde a infância e donas de um café no centro do bairro.

E como se eu não tivesse acabado de dizer que queria paz, elas decidiram me convidar para uma balada naquela mesma noite.

Uma balada.

Eu quase ri.

Nunca fui de festas. Nunca fui impulsiva.

Passei a vida inteira sendo esposa, mãe e dona de casa.

Minha juventude praticamente desapareceu entre fraldas, faculdade e responsabilidades.

Tentei recusar algumas vezes, mas nenhuma das duas parecia aceitar um “não” como resposta.

No fim, eu não disse sim.

Mas também não disse não.

E, honestamente…

Que mal poderia fazer?

Acabei trocando números com elas e finalmente descobri seus nomes: Ariana Montgomery e Mary Patrick.

As duas me adicionaram imediatamente nas redes sociais e começaram a mandar figurinhas engraçadas no mesmo instante, como se já fôssemos amigas há anos.

Depois que foram embora, terminei de organizar o resto das minhas coisas. Quando percebi, o céu já estava alaranjado com o pôr do sol londrino.

Então subi para tomar banho.

Eu tinha esquecido completamente que, sem querer, talvez tivesse aceitado ir para uma balada.

Quando anoiteceu, eu já estava de pijama no sofá, enrolada em uma manta enquanto assistia filmes românticos antigos — os favoritos da Jess.

Ela amava comédias românticas dos anos 2000. Principalmente qualquer filme com Jennifer Lopez ou Sandra Bullock.

Sorri sozinha ao lembrar disso.

Foi nesse momento que a campainha tocou.

Franzi a testa antes de atender, completamente esquecida do compromisso.

Assim que abri a porta, encontrei Mary e Ariana usando roupas modernas, saltos altos e decotes impressionantes.

E o mais assustador era que elas provavelmente tinham a minha idade.

Pisqei algumas vezes até finalmente me lembrar da balada.

As duas imediatamente perceberam meu pijama de flanela e começaram a rir.

— Ah, não. Você não vai mesmo sair vestida de esposa deprimida abandonada em casa — Ariana decretou antes mesmo de entrar.

— Ela tem cara de quem usa hidratante de lavanda e dorme às nove da noite — Mary completou dramaticamente.

Acabei rindo sem humor enquanto elas praticamente me arrastavam escada acima.

Minutos depois, todas as roupas que eu havia organizado cuidadosamente já estavam espalhadas sobre a cama.

— Meu Deus… — Ariana murmurou analisando minhas peças. — Você realmente se veste como dona de casa.

Cruzei os braços, ofendida.

— Porque eu era uma dona de casa.

As duas se entreolharam por um segundo antes de começarem a revirar minha mala novamente.

E então Mary puxou um vestido específico.

Um vestido preto elegante, um pouco mais justo do que eu costumava usar.

Meu peito apertou imediatamente ao reconhecê-lo.

Jess tinha escolhido aquela roupa meses atrás.

Ela dizia que eu precisava parar de me vestir “como alguém de quarenta anos presa num comercial de lavanderia”.

Na época, comprei o vestido apenas para fazê-la feliz.

E agora, pela primeira vez, eu realmente iria usá-lo.

Elas me maquiaram enquanto eu reclamava o tempo inteiro.

Eu me sentia completamente deslocada.

O vestido apertava minha bunda, o salto parecia alto demais e, sinceramente, eu tinha a sensação de estar vestida como aquelas assistentes pessoais de filmes eróticos que acabam transando com o chefe no escritório.

Mary quase caiu da cama de tanto rir quando falei isso.

Mas, mesmo desconfortável, acabei indo com elas para a tal balada.

Durante o caminho, fiquei observando Londres pela janela do carro.

As ruas iluminadas, os prédios antigos, as pessoas caminhando apressadas mesmo à noite… tudo parecia ainda mais bonito ao vivo.

Era estranho pensar que eu realmente estava ali.

Em outro país.

Outra vida.

Outra versão de mim mesma.

Quando chegamos à balada, a primeira coisa que percebi foi a quantidade absurda de jovens.

Na entrada, duas garotas se beijavam intensamente contra a parede enquanto riam entre um beijo e outro. Mais ao fundo, grupos dançavam sem qualquer vergonha, completamente entregues à música e à bebida.

O lugar inteiro parecia quente, caótico e provocante demais para alguém como eu.

Mary e Ariana desapareceram quase imediatamente em direção ao bar.

E, honestamente, eu não bebia daquele jeito fazia anos. Talvez desde antes do jantar de despedida com Matt.

Mas naquela noite eu queria parar de pensar.

Então aceitei a tequila.

Depois cerveja.

Depois whisky.

E quando percebi, meu corpo já começava a ficar leve e quente pela bebida.

Acabei me sentando em um dos sofás próximos da pista antes que fizesse alguma besteira.

Foi aí que notei o homem sentado ao meu lado.

Não. Homem não.

Garoto.

Mas absurdamente bonito.

Sem barba, rosto jovem e aquele tipo de aparência perigosamente confiante. O corpo forte marcava sob a camisa escura e havia algo nele que chamava atenção imediatamente.

Talvez o olhar.

Talvez o jeito relaxado.

Talvez o fato de ele parecer saber exatamente o efeito que causava.

Desviei os olhos rapidamente.

Eu definitivamente não daria em cima de um garoto em uma balada de Londres.

Então foquei em Mary e Ariana dançando com dois homens completamente aleatórios na pista.

Só tomei um susto quando ouvi a voz dele ao meu lado:

— Suas amigas parecem estar se divertindo bastante.

Olhei para ele e sorri sem graça.

— Elas sabem fazer isso melhor do que eu.

Ele inclinou levemente a cabeça, me analisando de um jeito descaradamente provocante.

Engoli seco.

— Eu sou Marcus.

O jeito como ele falou o próprio nome parecia perigoso.

Mesmo assim, falei o meu e apertei sua mão.

O toque dele era quente.

Muito quente.

E eu precisava urgentemente parar de prestar atenção nisso.

Levantei depressa, um pouco desajeitada por causa da bebida, e fui até Mary e Ariana avisar que queria ir embora.

Mas as duas perceberam Marcus olhando para mim do outro lado do bar e imediatamente começaram a rir.

— Vai conversar com ele! — Ariana falou arrastando as palavras.

— O homem tá praticamente te despindo com os olhos! — Mary completou, bêbada demais para ter filtro.

Ignorei as duas antes que acabassem me empurrando de volta para ele.

Então saí da balada procurando um táxi ou qualquer Uber disponível.

Eu precisava fugir de problema.

Mas, como se o universo estivesse debochando da minha cara, dei de cara com Marcus do lado de fora.

Ele colocou as mãos nos bolsos da jaqueta e me olhou divertido.

— Você tá fugindo de mim?

— N-não — respondi, gaguejando um pouco.

O sorriso dele aumentou imediatamente.

— Então fica. Eu não mordo. Só se você quiser.

Acabei soltando uma risada inesperada.

Marcus me observou por alguns segundos antes de falar mais baixo:

— Seu sorriso é maravilhoso.

E foi nesse momento que alguma coisa dentro de mim simplesmente desligou.

Talvez a bebida.

Talvez a solidão.

Talvez Londres.

Só sei que, de repente, puxei Marcus pela jaqueta e o beijei.

Um beijo rápido. Impulsivo.

Assim que percebi o que tinha feito, me afastei imediatamente, constrangida.

Mas Marcus apenas abriu um sorriso lento, divertido.

— Pelo sotaque… você não é daqui.

Balancei a cabeça negativamente, ainda sem coragem de encará-lo direito.

Então ele segurou minha cintura e me puxou para mais perto.

— Então… — murmurou perto da minha boca.

Os dedos dele apertaram minha cintura devagar.

— Bem-vinda a Londres.

E então ele me beijou outra vez.

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