Segunda-feira, 23 de dezembro — 10h.
O consultório do Dr. Rafael Quintana fica num prédio espelhado na Orla do Farol, oitavo andar, vista pro mar.
Tudo ali grita dinheiro.
Recepção com sofá de couro, ar-condicionado gelado, revista de decoração cara em cima da mesinha de vidro.
A secretária sorri quando eu entro. Sorriso treinado.
— Lavínia Duarte?
— Sou eu.
— O doutor já te espera. Sala 3.
Eu entro.
A sala é grande. Moderna. Parede branca. Quadros abstratos que não significam nada.
E ele.
Dr.