Acordo antes do despertador tocar.
Cinco da manhã. Ainda tá escuro.
Não consegui dormir direito. Cada vez que fechava o olho, via o rosto do Augusto descobrindo.
Levanto. Visto a primeira roupa que vejo. Calça preta, camisa branca. Prendo o cabelo num coque apertado.
Não vou chorar. Não vou implorar.
Vou me demitir antes dele acessar o sistema.
Pego a bolsa, saio sem fazer barulho. Minha mãe ainda tá dormindo.
O ônibus das cinco e meia tá vazio. Só eu, o motorista e um segurança voltando do turno da noite.
Encosto a testa na janela gelada.
— Desculpa, filho. — Sussurro. — A gente vai ter que recomeçar. Mas longe dele.
Chego na Romano Group às seis e quinze. O sol ainda não nasceu.
O segurança da portaria estranha.
— Coordenadora? Tão cedo?
— Relatório urgente.
Ele libera.
Subo pro 20º andar. O corredor tá vazio, silencioso. As luzes automáticas acendem quando eu passo.
Vou direto pra minha mesa. Ligo o computador.
Abro o Word.
Digito:
CARTA DE DEMISSÃO
Prezado Sr. Augusto Romano,
Venh