— Lavínia... — O tom dele é um sussurro.
— Você tá...
— Com gastrite. — Corto rápido. Limpo a boca com o lenço. — Eu não tomei café. O estômago tá vazio.
Silêncio.
Ele não acredita. Vejo nos olhos dele.
— Gastrite. — Ele repete.
— É. — Minha voz sai rouca. — Café preto de estômago vazio. Não escutou?
Vou até a pia do barzinho, pego um copo d'água e bebo. Minha mão treme, mas eu disfarço segurando o copo com força.
— Você nunca teve gastrite, Lavínia.
Paro com o copo na boca.
O tom dele é de certeza.
Viro pra ele.
— Como é que você sabe?
Ele cruza os braços.
— Porque pedi ao Vicente investigar sobre você e no seu histórico médico dos últimos cinco anos não tem uma única menção a problema estomacal.
O copo quase cai da minha mão.
O sangue sobe pra minha cabeça.
— Você fez o quê? — Pergunto. Eu já sabia que ele estava me investigando mas precisava dessa oportunidade pra fazer ele parar antes do sistema voltar.
— Eu mandei puxar sua ficha. — Ele fala na lata. Sem piscar. — Hospitais, co