Luna Rejeitada Grávida Pelo Alfa Por Vingança
Luna Rejeitada Grávida Pelo Alfa Por Vingança
Por: L. A Ferreira
Capítulo 1 Uma vida de servidão

Capítulo 1 Uma vida de servidão

Pov: Anelise Lightmoon

O sol queimava minha pele como brasas vivas enquanto minhas mãos esfregavam a roupa contra a pedra bruta. O suor escorria pelo meu rosto cansado, misturando com a poeira do chão do pátio interno. O peso do isolamento esmagava meu peito com uma força implacável.

Minha madrasta observava meu sofrimento do alto da varanda sombreada e fresca. Sâmia bebia uma taça de vinho gelado, ostentando um sorriso sádico que enfeitava a sua boca.

O ódio dela era uma presença constante que apertava minha garganta sem piedade.

A água suja tingia meus dedos desgastados pelo trabalho pesado e injusto. A dor nas costas era um lembrete constante da minha condição de escrava dentro da minha própria casa.

Desde a infância, minha vida se resumia a castigos e tarefas diárias.

Os grandes portões de ferro bloqueavam qualquer visão do mundo vibrante lá fora. Eu vivia presa nessa gaiola de pedra, sem permissão para sentir o vento livre da floresta nas bochechas. O cheiro de sabão barato e suor impregnava minhas roupas velhas, as únicas que eu tinha e que eram feitas de retalhos dos restos das roupas da minha família, costurados por mim mesma.

Passos pesados ecoaram pelo pátio, quebrando o silêncio da minha tortura diária e solitária. Meu pai, se é que ele poderia ser chamado assim, caminhava com a postura arrogante que sempre exibia para todos os membros da alcateia. O Alfa Gileon passou por mim como se eu fosse parte da sujeira no chão.

Ele sequer desviou os olhos frios e desumanos na minha direção e às vezes eu pensava que era melhor assim, pois sempre que ele me olhava, nada de bom vinha disso. Toda a atenção dele estava focada na filha da antiga amante que caminhava com soberba logo atrás dele, sua atual esposa, Sâmea. Raley, minha meia irmã exibia um vestido de seda pura, balançando os quadris com arrogância.

Lembranças cruéis invadiram minha mente como flechas envenenadas disparadas no escuro.

Recordei as noites incrivelmente frias trancada no porão escuro e úmido sem água ou comida. Revivi as humilhações públicas quando Raley rasgava minhas roupas apenas por pura diversão doentia e dizia que eu mesma tinha feito isso, a forma como tudo o que eu tentava dizer era visto como mentira.

A rejeição contínua do meu pai moldou minha armadura interna de puro silêncio.

Eu aprendi duramente a engolir o choro e a esconder o sangue das feridas sempre abertas. Minha loba Meire rosnava no fundo da minha alma, exigindo reparação.

O calor do meio-dia machuca meus ombros completamente desprotegidos e doloridos, expostos horas.

O silêncio voltou a reinar enquanto eu mergulhava o pano na água escura do balde. Meu estômago roncava de fome, lembrando que eu não comia desde a noite passada, eles me davam apenas o suficiente para não morrer, e sempre eram sobras deles.

Esfreguei a mancha escura da roupa na pedra até meus nós dos dedos sangrarem levemente. A dor era a única coisa que me mantinha ancorada na realidade cruel deste lugar. Fechei os olhos por um segundo, desejando que o chão me engolisse.

Uma risada estridente cortou o ar abafado, vinda diretamente dos lábios vermelhos de Raley. Ela apontou para as minhas roupas sujas, sussurrando algo no ouvido do nosso pai inerte. Ele riu junto com ela, um som gutural que quebrou meu coração.

Eu abaixei a cabeça, focando toda a minha atenção nas pedras irregulares do pátio. Não deixaria que eles vissem as lágrimas de humilhação pura que ameaçavam cair dos meus olhos, a situação sempre piorava se eles me vissem chorar. A submissão era a minha única arma de defesa neste inferno. Uma hora eles se cansaram de rir e foram embora.

Trabalhei até o anoitecer, quando estava voltando para dentro, de repente murmúrios baixos chamaram minha atenção vindos da lateral do muro principal. Me escondi rapidamente atrás da pilastra de pedra fria e coberta de musgo. Raley sussurrava com alguém no canto escondido perto do velho poço seco.

A voz dela tremia levemente, carregada de uma ansiedade estranha e incrivelmente sombria. Apertei meu corpo contra a parede áspera para não ser descoberta ali ouvindo a conversa alheia. Eu seria brutalmente açoitada se eles me pegassem espionando a herdeira favorita. Mas não tive culpa, era meu caminho e eu não sabia que ela estaria ali, mas de nada adiantaria tentar me explicar.

Meu coração batia acelerado, retumbando nos meus ouvidos como fortes tambores de guerra. Consegui captar algumas palavras soltas flutuando pelo ar pesado daquela noite sufocante e sem vento. Raley falava sobre um pagamento em moedas de ouro metade agora e a outra metade amanhã.

Ela planejava algo ruim, ninguém dava moedas assim atoa, o tom de deboche na voz dela me deu nojo, embrulhando meu estômago vazio e dolorido. Alguém iria sofrer para financiar os luxos extravagantes daquela garota mimada e fútil.

Não consegui escutar o resto da conversa secreta, venenosa e cheia de más intenções.

O medo de ser punida apertou meu estômago com mãos de puro gelo e desespero. Voltei silenciosamente para o meu balde, esfregando o chão com terror silencioso.

A imagem das moedas não saía da minha mente confusa. Eu sabia do que minha meia-irmã era capaz quando queria alguma coisa para o seu ego. Ela destruía inocentes como quem amassa uma flor seca no jardim.

Meire raspou suas garras mentais contra a parede da minha consciência enfraquecida pela fome. Minha loba exigia que eu fizesse alguma coisa para tentar impedir que a gente morresse de fome. Mas eu não tinha voz, não tinha poder, não tinha absolutamente nada. Só podia trabalhar e esperar que sobrasse comida, para que eu pudesse comer algo, pelo menos água eu podia beber.

Peguei o balde vazio que usei para carregar as roupas sujas para fora mais cedo e caminhei para a cozinha quente e cheia de fumaça, guardei ele onde tinha pego antes e olhei ao redor, procurando algo para comer. As cozinheiras me ignoraram completamente, como se eu fosse um fantasma invisível, eu estava abaixo delas ali, abaixo de qualquer um, se eles tivessem um cachorro, ele valeria mais que eu.

Tinham ordens de não me servir nada, e não me deixar pegar nada, a menos que fossem sobras destinadas ao lixo, o lixo era eu.

Peguei um pedaço de pão duro que estava jogado perto do lixo da pia. Comi rapidamente, sentindo a massa seca arranhar minha garganta sedenta e dolorida pelo esforço contínuo. Aquela era a minha rotina, minha punição por ter nascido da esposa legítima, que morreu.

Caminhei até o meu quarto no sótão, subindo as escadas estreitas e rangentes de madeira. O calor ali era insuportável, transformando o pequeno cômodo em um verdadeiro forno sem ventilação. Deitei no colchão fino no chão, encarando o teto baixo, eu mal tinha espaço para caminhar agachada ali.

A exaustão puxou meu corpo para baixo, pesando meus membros como pesados blocos de chumbo. Fechei os olhos, buscando algum refúgio nos sonhos, pelo menos na maioria deles eu não era escrava. O silêncio da noite finalmente engoliu a casa grande e cruel.

Acordei de madrugada com um frio cortante invadindo o sótão pelas frestas do telhado quebrado.

Puxei o cobertor esburacado que peguei escondido da pilha que seria queimada a alguns anos, sobre os meus ombros doloridos, tremendo sem conseguir controlar os músculos. A solidão era a minha única companheira fiel nas noites mais escuras.

Lembrei do rosto borrado da minha mãe que uma vez vi em uma pintura esquecida em um canto da casa, mas que a muito tempo foi queimada pela minha madrasta, tentando buscar algum conforto naquela memória distante. Ela morreu me dando a vida, e por isso eu fui condenada a este inferno diário. Gileon nunca me perdoou por não ter morrido com ela.

O ódio dele era uma herança maldita que eu carregaria até o fim dos dias. Sâmia aproveitou essa brecha para destruir qualquer vestígio de dignidade que eu pudesse ter construído. Ela me transformou no lixo da matilha, sem piedade ou qualquer remorso. Aquela maldita sentia prazer em me afundar cada vez mais em degradação.

Levantei antes do sol nascer, sabendo que tinha mais trabalho pesado me esperando lá embaixo. Bati a poeira das minhas roupas puídas com as mãos e desci as escadas na ponta dos pés frios e descalços. A casa ainda dormia o sono profundo dos injustos e dos cruéis.

Fui direto para o pátio de lavar roupas, mergulhando as mãos na bacia de água gelada. O choque térmico nas minhas mãos serviu para despertar minha mente anestesiada pela dor contínua. Mais um dia de escravidão se iniciava, e eu precisava sobreviver a ele.

Esfreguei a primeira camisa de seda, imaginando o dia em que eu seria livre disso.

A esperança era uma chama minúscula no fundo da minha alma destroçada pelo sofrimento contínuo, olhei para o céu e desejei qualquer coisa que me livrasse daquele lugar miserável.

Mas eu logo descobri que deveria ter mais cuidado ao fazer um desejo…

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