“O poder não está no que se ordena, mas no que se sustenta.”
Damian Cavallari
Cheguei ao hospital San Michele di Firenze quarenta minutos depois do telefonema. Entrei pelo saguão principal sem diminuir o passo. As portas automáticas abriram. Alguns olharam, reconheceram e recuaram. Nome e posição ainda falam alto. Em ambientes como aquele, até a curiosidade aprende a respeitar protocolos.
No balcão, a recepcionista levantou os olhos, ajeitou o blazer e quase endireitou a postura sozinha.
— Bom dia, senhor Cavallari.
— Dra. Arquete? — perguntei.
— Já foi informada da sua chegada. Está a caminho.
Assenti, mais por hábito do que por cortesia, e me virei na direção do corredor principal. O cheiro de antisséptico e flores dominava. Uma combinação pensada para vender a ideia de recuperação em vez de dor. Uma encenação. E, como quase tudo ali, funcional.
O som dos saltos dela veio antes da presença.
— Senhor Cavallari!
Virei o rosto e encontrei a doutora Patricia Arquette se aproximando com