Mundo de ficçãoIniciar sessãoElena Rossi
O helicóptero cortava o céu como um risco escuro contra o azul profundo da madrugada, levando Sofia para o hospital cujo nome eu não ousava pronunciar. Havia um medo supersticioso em mim, uma sensação infantil de que, se eu dissesse em voz alta, poderia profanar o milagre comprado com o que restava de mim.
Fiquei parada diante da janela do saguão, com os dedos pressionados contra o vidro frio, seguindo com o olhar as luzes que se afastavam lentamente até desaparecerem por completo no horizonte. Só então consegui respirar de verdade. O ar saiu em um suspiro trêmulo, pesado, trazendo comigo uma compreensão tardia e inevitável: o que me aguardava não era apenas difícil, era grande demais para ser ignorado.
Sofi







