Mundo de ficçãoIniciar sessãoDamian Cavalari
A porta da cabine bateu atrás de mim com força suficiente para fazer a madeira tremer, como se o próprio iate tivesse sentido o meu descontrole por dentro.
O silêncio era intenso, exceto pelo som das ondas quebrando contra o casco. O barulho ritmado era irritante, quase provocativo, era como um lembrete constante de que eu estava preso comigo mesmo e com tudo aquilo que eu passei anos tentando enterrar.
Caminhei até o bar embutido, cada passo que dava sob o convés, era firme demais para alguém que deveria estar no comando. Peguei a garrafa de uísque, abri com um estalo seco e servi uma dose generosa. A bebida âmbar deslizou pelo vidro como mel escuro, espesso, quase debochado, como se me desafiasse a continuar fugindo do que eu havia







