Rodrigo Santoro
Existem dores que gritam.
E existem dores… que silenciam tudo.
A de Elisa… era das duas.
Eu a observava de longe, sentado naquela poltrona dura do hospital, enquanto ela dormia depois de mais uma medicação. O rosto ainda inchado, os cílios grudados pelas lágrimas secas, a respiração irregular… como se até o corpo dela estivesse cansado de sofrer.
E eu…
Eu estava ali.
Inteiro por fora.
Mas completamente destruído por dentro.
Passei a mão pelo rosto, exausto.
— Eu não posso… — mur