Capítulo 4

Mason

Mason Crawford dirige o Audi preto com uma mão no volante, a outra segurando o celular. A agenda está infernal esta semana. A nova proposta de filiação com o grupo texano está deixando toda a diretoria da Crawford Seguros agitada, os acionistas nervosos, advogados enviando contratos revisados a cada hora, e ele no centro de tudo, como sempre.

Ele dispensou o motorista hoje. Precisava de silêncio. Precisava de controle.

A estrada que liga o interior à cidade principal tem pouco movimento àquela hora da tarde. O sol já começa a baixar, pintando o asfalto de tons alaranjados. Mason franze o cenho enquanto lê mais um e-mail no celular, o polegar rolando a tela rapidamente.

— Merda... — murmura ele, voz grave e baixa.

Ele levanta os olhos para a estrada por um segundo, mas volta a atenção para o telefone. A reunião correu bem, mas os detalhes ainda não estão perfeitos. Ele odeia imperfeições.

De repente, um vulto surge à direita da pista.

Uma garota atravessa a estrada carregando uma cesta grande, equilibrando-a na cintura. Ela vende bolinhos caseiros, andando de casa em casa e de comércio em comércio para ajudar nas despesas. Mason só tem tempo de ver o cabelo castanho escuro preso em um rabo de cavalo bagunçado e uma blusa branca simples antes de pisar fundo no freio.

O impacto não é forte, mas é inevitável.

O carro acerta a lateral do corpo dela. A cesta voa, bolinhos se espalham pelo asfalto. A garota cai com um grito abafado, rolando alguns metros.

— Porra! — Mason solta o celular, que cai no tapete do carro, e para bruscamente no acostamento.

Ele desce do Audi com o coração acelerado, mas o rosto ainda impassível, controlado. Aproxima-se correndo e se ajoelha ao lado dela.

A jovem está consciente, respirando com dificuldade, a mão apertando o tornozelo que já começa a inchar. Tem uns 25 ou 27 anos, rosto bonito apesar da expressão de dor, olhos castanhos cheios de fúria e pele bronzeada de quem passa tempo ao ar livre. A blusa branca está suja de terra e um pouco rasgada no ombro.

— Você... seu idiota! — rosna ela entre dentes, tentando se levantar. — Estava olhando pro celular, né? Seu desgraçado!

Mason ignora o insulto. Avalia os danos rapidamente: tornozelo torcido ou fraturado, possivelmente escoriações, mas nada que pareça fatal.

— Fique quieta. Não tente se mexer — ordena ele, voz autoritária, grossa, sem espaço para discussão.

— Não me manda ficar quieta! — ela rebate, empurrando a mão dele quando Mason tenta verificar o tornozelo. — Eu estava atravessando direito! Você quase me matou!

Mason suspira, controlando a irritação. Ele pega o celular caído e liga para o seu médico particular.

— Aqui é Mason Crawford. Acidente na estrada. Mulher, cerca de 23 anos, possível fratura no tornozelo. Estou levando para o Hospital Saint Luke agora. Preparem a entrada.

Ele desliga sem esperar resposta e se abaixa novamente. Sem pedir permissão, passa um braço por baixo dos joelhos dela e o outro nas costas, erguendo-a do chão como se não pesasse nada.

— Me solta! Eu consigo andar! — protesta ela, batendo no peito dele com o punho fechado.

— Você não consegue nem ficar em pé — responde Mason, seco, carregando-a até o carro. Ele a coloca no banco do passageiro com cuidado surpreendente, mas sem delicadeza excessiva. — Coloque o cinto.

Ela obedece, mas continua resmungando:

— Claro... o riquinho me atropela e ainda quer dar ordens. Aposto que vai me oferecer dinheiro pra eu calar a boca.

Mason dá a volta no carro, entra e liga o motor. Olha para ela de lado por um segundo. A garota é bonita de um jeito bruto, selvagem. Olhos que desafiam, boca que parece feita para discutir.

— Qual é o seu nome? — pergunta ele, acelerando pela estrada.

— Por que quer saber? Pra processar meus dados antes de me jogar no hospital?

Mason aperta o volante, maxilar travado.

— Só preciso saber pra informar no hospital.

Ela bufa, cruzando os braços.

— Sofia. Sofia Mendes.

— Sofia — repete ele, como se testasse o nome. — Você mora por aqui?

— Moro. E vendo bolinhos pra ajudar minha mãe.

Mason não responde. Dirige em silêncio, mas sua mente trabalha rápido. Ele odeia imprevistos. Odeia perder o controle da situação. E agora tem uma garota ferida no carro, espalhando terra e cheiro de baunilha pelo banco de couro.

No hospital particular, tudo é rápido. Médicos particulares já esperam na entrada. Mason acompanha a maca até a sala de exames, braços cruzados, expressão impassível.

Sofia faz careta de dor enquanto tiram radiografias. O tornozelo está torcido feio, com uma pequena fratura no osso. Além disso, hematomas no quadril e no braço.

O médico sai da sala e fala com Mason no corredor.

— Ela vai precisar de repouso absoluto por pelo menos duas semanas. Imobilização, anti-inflamatórios e acompanhamento. Alguém para cuidar dela em casa?

Mason passa a mão pelo rosto.

— Eu cuido!

Ele mesmo não sabe por que disse isso. Obrigação, culpa, controle. Talvez as três coisas.

Quando volta para o quarto, Sofia está sentada na cama, tornozelo já engessado, olhar fulminante.

— Você ainda tá aqui? Pode ir embora. Eu me viro.

— Você não tem como se virar sozinha — responde Mason, puxando uma cadeira e sentando-se como se fosse dono do hospital. — Vai ficar na minha casa até melhorar.

Sofia solta uma risada incrédula.

— Na sua casa? Tá maluco? Eu nem te conheço!

— Você me conhece o suficiente pra saber que fui eu quem te atropelou. E eu não deixo pontas soltas. Minha casa tem quartos de sobra, empregados e um médico que vai te ver todos os dias.

Antes que ela pudesse protestar mais, a porta se abre. Uma mulher de uns 45 anos, aparência cansada mas forte, entra correndo.

— Sofia! Meu Deus, o que aconteceu?!

— Mãe... — Sofia suaviza um pouco a voz. — Foi um acidente. Esse é o... senhor que me atropelou.

A mãe olha para Mason, reconhecendo imediatamente o terno caro e a postura imponente.

— Sr. Crawford... eu sinto muito pelo transtorno. Minha filha tem um gênio forte, mas é boa menina. Ela não vai te dar trabalho, eu prometo.

Sofia bufa alto.

— Mãe! Não pede desculpa por mim!

Mason observa a interação. A mãe claramente exausta, a filha rebelde e cheia de orgulho. Algo nele se agita, um interesse que vai além da obrigação.

— Não precisa se desculpar — diz ele à mãe, voz controlada. — O erro foi meu. Sofia vai ficar na mansão Crawford até se recuperar completamente. Todas as despesas serão por minha conta.

Sofia abre a boca para discutir, mas Mason levanta a mão, cortando-a.

— Não é negociável.

Ele se levanta, ajustando o terno.

— Vou resolver a papelada. Saímos em uma hora.

Enquanto ele sai do quarto, Sofia olha para a mãe, furiosa.

— Eu odeio ele.

A mãe suspira.

— Filha... é um Crawford. Eles são poderosos. E ele parece disposto a ajudar.

No corredor, Mason encosta-se na parede por um momento, fechando os olhos.

Uma garota briguenta, boca suja e olhar desafiador.

Exatamente o tipo de problema que ele não precisava agora.

E, ainda assim, pela primeira vez em muito tempo, Mason Crawford sente que perdeu completamente o controle da situação... e uma parte dele, bem no fundo, está estranhamente interessada em ver até onde isso vai dar.

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