Capítulo 3

Benny

O sol da tarde californiana batia forte no campus de Stanford quando Benny Crawford saiu do auditório do departamento de Teatro. Ele havia passado as últimas horas ajustando o roteiro de uma versão desconstruída e fluida de *Romeu e Julieta*, uma adaptação moderna, cheia de camadas de gênero, desejo e poder. As audições para os papéis principais aconteceriam em dois dias, e Benny já antecipava o caos delicioso que seria dirigir aquela peça.

Com a mochila de couro pendurada no ombro e um sorriso preguiçoso nos lábios, ele seguia para a sala dos professores quando vozes alteradas chamaram sua atenção. Vinham do corredor lateral, perto dos armários.

Ele diminuiu o passo e observou discretamente.

Dois atletas do time de corrida, jaquetas do time, corpos definidos, cercavam um rapaz mais baixo, magro, de óculos e postura curvada. O mais alto, metido e arrogante, empurrava o ombro do garoto contra o armário.

— Vai chorar agora, bichinha? — zombava ele. — Quando vai virar homem de verdade, hein?

O outro ria, gravando com o celular.

— Olha pra cara dele. Aposto que nunca nem beijou uma garota.

Benny reconheceu imediatamente um deles, Nate Hargrove. Alto, cabelo escuro cortado curto nas laterais, corpo atlético esculpido por anos de treino, rosto que fazia metade do campus suspirar. Pegador conhecido, filho do juiz Marcus Hargrove, um velho conhecido de Hugh Crawford. Intocável, ou pelo menos era o que ele achava.

O garoto tímido murmurava algo baixo, olhos baixos, claramente aterrorizado.

Benny decidiu que era o suficiente.

— Ei, ei, ei... — disse ele, aproximando-se com as mãos nos bolsos, voz descontraída, quase divertida. — O que está acontecendo aqui, rapazes?

Um dos atletas empalideceu ao reconhecer o professor mais popular do departamento. Murmurou algo e saiu correndo sem olhar para trás. Nate, porém, permaneceu. Virou-se devagar, peito estufado, um sorriso desafiador no rosto.

— Professor Crawford. Que honra.

Benny parou a poucos metros, inclinando a cabeça.

— Nate Hargrove. Sempre você no meio do problema. Deixe o garoto ir embora!

O rapaz tímido não esperou segunda ordem. Pegou a mochila e desapareceu pelo corredor.

Nate deu um passo à frente, peitando Benny. Eram quase da mesma altura, ambos com porte atlético. Os olhos de Nate queimavam de raiva e arrogância.

— Você não tem moral pra dar lição em ninguém, playboy. Todo mundo sabe que você é só um sugar daddy disfarçado de professor. Tá aqui só pra olhar as novinhas, né? Deve se divertir bastante nas audições.

Benny soltou uma risada baixa, genuína. Passou a mão pelo cabelo bagunçado.

— Touché. Gosto da atenção das mulheres, sim. O jeito que elas me olham... é delicioso. Mas nunca toquei em nenhuma aluna. Isso seria baixo demais, até pra mim. Já você... agredir quem não pode se defender? Isso sim é patético.

Nate deu mais um passo, quase colando o peito no de Benny.

— Sabe com quem você está mexendo? Meu pai é juiz. Um telefonema e você...

— Eu sei exatamente com quem estou mexendo — interrompeu Benny, ainda sorrindo, mas o tom agora mais firme. — E esse comportamento não vai ficar impune. Me acompanhe até a diretoria.

Nate riu na cara dele, virou as costas e caminhou até sua moto preta estacionada ali perto.

— Vai se foder, professor!

Ele ligou a moto com um ronco alto e saiu acelerando, deixando uma nuvem de fumaça e desafio no ar.

Benny ficou olhando, o sorriso lentamente se alargando. Seus olhos verdes brilharam com algo perigoso e excitado.

— Ah, Nate... você acabou de tornar isso muito mais divertido.

---

Na diretoria, Benny não perdeu tempo. Pediu as imagens das câmeras de segurança do corredor. O diretor, um homem careca e suado que já conhecia os problemas de Nate, assistiu ao vídeo com expressão resignada.

— Filho do juiz Hargrove... de novo. Não sei como punir o garoto sem criar uma dor de cabeça enorme.

Benny cruzou os braços, recostando-se na cadeira com elegância.

— Deixe ele comigo. Nos próximos três meses, Nate será meu assistente pessoal no departamento de Teatro. Vai ajudar na montagem da peça, na organização, na disciplina... e eu também vou supervisionar o treino dele na equipe de corrida. Fui atleta de sucesso na faculdade, o senhor sabe. Posso colocar esse valentão na linha.

O diretor ergueu uma sobrancelha, mas claramente aliviado por passar o problema adiante.

— Tem certeza? O garoto é difícil.

— Tenho certeza — respondeu Benny, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Vai ser... educativo.

O diretor bateu o martelo. Ligaram para os pais de Nate e para o próprio. A reação do rapaz do outro lado da linha foi exatamente como Benny esperava: gritos, insultos, ameaças. Benny apenas sorria internamente enquanto ouvia tudo.

Ele não era gay. Nunca havia sido. Mas odiava covardes que atacavam os mais frágeis. E punir um valentão homofóbico como Nate? Isso prometia ser extremamente prazeroso.

---

No dia seguinte...

Benny estacionou seu Porsche preto no lugar reservado dos professores. Assim que desligou o motor, viu Nate vindo em sua direção com passos furiosos, o uniforme de corrida ainda suado do treino matinal.

— Seu filho da puta! — rosnou Nate, parando a poucos centímetros. — Você acha que pode foder com a minha vida assim? Meu pai vai destruir você!

Benny colocou calmamente seus óculos de grife escuros, guardou as chaves no bolso e enfiou as mãos nas calças sociais, postura relaxada e dominante. O sol batia em seu rosto, destacando o maxilar bem desenhado e o sorriso preguiçoso.

— Bom dia pra você também, Nate. Dormiu mal?

— Eu vou tornar a sua vida um inferno, professor. Todo dia. A cada segundo. Você vai se arrepender de ter mexido comigo.

Benny tirou os óculos devagar, olhando diretamente nos olhos do rapaz. Havia algo elétrico no ar, raiva, desafio, e uma tensão que Benny conhecia muito bem.

— Inferno? — repetiu ele, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Nate. Sua voz saiu baixa, quase íntima. — Eu mal posso esperar, valentão. Três meses inteiros. Só você e eu. Você vai aprender a obedecer... ou vai aprender do jeito mais difícil.

Nate engoliu em seco, mas não recuou. Seus olhos faiscavam de ódio... e talvez algo mais que ele próprio não conseguia identificar.

Benny deu um tapinha leve no ombro dele, quase carinhoso, e passou por ele em direção ao prédio.

— Te vejo às três da tarde no auditório. Não se atrase. Ah, e Nate... — ele parou e olhou para trás com aquele sorriso safado que fazia corações dispararem. — Vista algo confortável. Você vai suar bastante.

Enquanto caminhava, Benny sentia a adrenalina correr nas veias. Em casa, a nova madrasta e a enteada loira já traziam problemas interessantes. Aqui no campus, um novo brinquedo desafiador acabara de cair em suas mãos.

Liam e Mason precisavam saber disso.

A caçada se diversificava. E Benny Crawford estava mais vivo do que nunca.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App