Dominique Rodrigues
Assim que o carro entrou na casa de Gael, as lembranças me assolaram. Recordei a primeira vez, as outras vezes pela casa, recordei como me senti abandonada. Ele me mostrou o bilhete que conseguiu recuperar antes que fosse para o lixo. Realmente se eu o tivesse encontrado muito desentendimento seria evitado.
— Quer beber alguma coisa? Um suco? Um vinho? — o sorriso diante da palavra vinho me fez pensar que havia segundas intenções em sua oferta.
— Estou com sede. Adoraria um suco.
— Venha comigo. Vou preparar um suco de laranja para nós.
— Vou usar o banheiro primeiro, se não se importa.
— Claro que não. Sabe onde fica a cozinha quando terminar. — Ele aumentou o tom de voz, pois eu já começava a andar em direção ao banheiro do andar de baixo, um dos poucos lugares onde não transamos.
Sei onde fica a tal cozinha, foi onde transamos na mesa e na pia.
Fiquei me encarando no espelho do banheiro por alguns minutos.
Por que estou aqui? Eu sabia que não estava vivendo um f