Melina passou a madrugada inteira acordada.
Não em desespero.
Em vigília.
Havia um tipo específico de silêncio que só existia antes de decisões irreversíveis. Não era paz. Era o instante em que a mente aceita que algumas consequências não serão evitadas — apenas escolhidas.
O relógio marcava 04h36 quando ela se levantou da poltrona da sala da HEM.
O mapa ainda estava aberto na tela.
Menos pontos.
Mais conexões ocultas.
Ela tocou em um deles.
— É aqui — murmurou.
Às seis da manhã, Clara foi convocada.
Às seis e cinco, a Mamba já estava sentada, postura impecável, olhos atentos.
Melina não perdeu tempo.
— A partir de agora, existe uma regra — disse. — E ela não estava escrita antes porque eu tive medo de parecer autoritária.
Clara franziu o cenho.
— Que regra?
— Ninguém toca em quem está fora do jogo.
Silêncio.
— Kauan está fora do jogo — continuou Melina. — Profissionais de base estão fora do jogo. Mulheres que não decidiram lutar estão fora do jogo.
A Mamba assentiu lentamente.
— E se