O céu de São Paulo amanheceu branco demais.
NĂŁo era neblina.
Era aquele tipo de luz morta que nĂŁo aquece, nĂŁo ilumina â apenas expĂ”e.
Melina percebeu isso assim que abriu a janela do gabinete. O reflexo no vidro devolveu uma mulher que parecia absolutamente consciente do prĂłprio peso histĂłrico. NĂŁo havia vaidade ali. Nem medo visĂvel.
Havia decisĂŁo.
A coletiva estava marcada para as dez.
Até lå, o mundo especulava.
A sede da HEM estava lotada.
Jornalistas.
CĂąmeras.
Microfones demais.
O burburinho era constante, nervoso. NĂŁo era curiosidade â era fome.
Fome por sangue simbĂłlico.
Clara observava tudo do fundo da sala, os braços cruzados, o rosto fechado. A Mamba coordenava a segurança com precisĂŁo cirĂșrgica, mas os olhos nunca saĂam de Melina.
â VocĂȘ ainda pode desistir â murmurou ela.
â Posso â respondeu Melina. â Mas nĂŁo vou.
â VocĂȘ sabe que o que disser aqui nĂŁo volta.
Melina ajeitou o microfone preso ao blazer.
â Eu sei. Ă por isso que estou faland